Paciente de 14 anos, com ciclos menstruais a cada 28 dias e 4 dias de fluxo, IMC de 25 kg/m2 e 6 pontos na Escala Ferriman-Gallwey para hirsutismo, veio à consulta com laudo ultrassonográfico de ovários micropolicísticos.
Adolescente + ovário policístico no ultrassom não é sinônimo de SOP.
Na adolescência, procure os dois pilares: irregularidade menstrual persistente e hiperandrogenismo.
Ultrassonografia e AMH não devem ser usados para fechar SOP em adolescentes.
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Contexto
Na adolescência, a morfologia ovariana multifolicular é frequente e pode representar fisiologia puberal. Por isso, a ultrassonografia não deve ser usada isoladamente para diagnosticar síndrome dos ovários policísticos nessa faixa etária. A International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of PCOS de 2023 recomenda que, em adolescentes, o diagnóstico exija irregularidade menstrual persistente conforme o tempo pós-menarca e hiperandrogenismo clínico ou bioquímico, após excluir diagnósticos diferenciais. Ultrassonografia e AMH não são recomendados para estabelecer o diagnóstico em adolescentes.
A paciente tem ciclos regulares de 28 dias e quatro dias de fluxo. O escore de Ferriman-Gallwey de 6, sem descrição de acne grave, alopecia androgênica ou virilização, não estabelece hiperandrogenismo clínico significativo; os pontos de corte para hirsutismo ainda variam conforme população e etnia. Assim, ela não apresenta os dois pilares diagnósticos exigidos na adolescência.
O laudo de “ovários micropolicísticos” não transforma uma adolescente assintomática em portadora de SOP. Repetir ultrassonografia apenas para confirmar a morfologia também favorece sobrediagnóstico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Citrato de clomifeno é indutor de ovulação usado em contexto de infertilidade anovulatória, e acetato de ciproterona é antiandrogênico. A paciente não tem infertilidade, anovulação documentada nem hiperandrogenismo que justifique esse esquema.
B) Correta (gabarito). Ciclos regulares, ausência de hiperandrogenismo convincente e ultrassonografia isolada não sustentam SOP. A conduta apropriada é tranquilizar a paciente e evitar investigação ou rotulação desnecessária.
C) Incorreta. TSH, FSH e LH podem ser úteis em situações selecionadas de irregularidade menstrual, mas não “confirmam SOP”. O diagnóstico é clínico, sindrômico e de exclusão, e essa paciente não tem indicação de investigação pelo achado ultrassonográfico isolado.
D) Incorreta. Prolactina e 17-OH-progesterona entram na investigação de diagnósticos diferenciais quando há anovulação ou hiperandrogenismo. Não há síndrome clínica a ser diferenciada aqui.
E) Incorreta. Repetir ultrassonografia em três meses não resolve o problema, porque a morfologia policística não é critério diagnóstico confiável na adolescência.