Cuidados paliativos e terminalidade

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 63
HCPA · 2020
Assinale a assertiva correta sobre o manejo de sintomas de pacientes em cuidados paliativos.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Em cuidados paliativos, o princípio é antecipar efeitos adversos previsíveis e tratar sintomas de forma programada. A constipação induzida por opioides resulta de ativação de receptores opioides no trato gastrointestinal, com redução de peristaltismo, aumento da absorção de água e maior tônus esfincteriano. Diferentemente de náusea e sedação iniciais, não ocorre tolerância clínica relevante à constipação. Por isso, recomendações de cuidados paliativos, incluindo a orientação do NICE para opioides fortes, indicam laxativo regular desde o início, salvo contraindicação ou situação clínica em que a laxação não seja desejável.

Dor persistente deve receber analgesia de base em horário fixo, com dose de resgate para exacerbações. Na dispneia refratária, opioides podem ser usados em doses menores quando o paciente é virgem de opioide e devem ser titulados segundo resposta e exposição prévia. Oxigênio não é um tratamento universal de dispneia: em pacientes não hipoxêmicos, medidas como ventilação com leque, posicionamento, manejo de ansiedade e opioide podem aliviar mais do que oxigênio suplementar.

Delirium também exige raciocínio etiológico. Antes de sedar automaticamente, procuram-se causas reversíveis coerentes com os objetivos de cuidado, como retenção urinária, fecaloma, medicamentos, desidratação, infecção, hipóxia e distúrbios metabólicos, além de medidas ambientais. Antipsicótico pode ser considerado quando há agitação ou sofrimento relevantes, mas não é a primeira resposta obrigatória para todo delirium terminal.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Laxativo profilático e regular deve acompanhar a prescrição de opioide forte na grande maioria dos pacientes, porque a constipação é previsível, persistente e pode evoluir para fecaloma.

B) Incorreta. Dor contínua não deve depender apenas de solicitação do paciente. O padrão é analgesia programada, com doses de resgate conforme necessidade, ajustando o esquema aos efeitos adversos e à intensidade da dor.

C) Incorreta. Delirium não deve gerar prescrição automática de haloperidol como primeira medida. Primeiro se avaliam causas reversíveis e medidas não farmacológicas; fármaco é reservado a sintomas que causem sofrimento ou risco e deve respeitar objetivos de cuidado.

D) Incorreta. Na dispneia, um paciente sem uso prévio de opioide costuma iniciar doses menores do que as doses analgésicas usuais. A dose depende de tolerância prévia, intensidade do sintoma e função renal.

E) Incorreta. Oxigênio é indicado quando há hipoxemia ou benefício individual demonstrável. Em dispneia sem hipoxemia, não deve ser usado automaticamente e pode ser inferior a medidas simples de conforto.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: começou opioide forte, pense em laxativo profilático porque não há tolerância ao efeito constipante.

  • Dor persistente: esquema de base em horário fixo + resgate, não apenas sob demanda.

  • Dispneia paliativa não significa oxigênio para todos; opioide em baixa dose e medidas não farmacológicas têm papel central quando não há hipoxemia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cuidados paliativos e terminalidade” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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