Lactente de 6 semanas de vida, nascido a termo, sem intercorrências perinatais, com vacinas em dia e bom ganho de peso, em aleitamento materno exclusivo, foi trazido à Emergência por bronquiolite viral aguda e, no momento, encontra-se internado na Enfermaria Pediátrica. Devido a taquipneia, foi indicada dieta por sonda nasogástrica. Vinha recebendo oxigênio suplementar por cateter nasal a 1 l/min, pois a oximetria de pulso à admissão indicou saturação de 91% em ar ambiente. No quinto dia de internação, o paciente, que até então não tivera febre, apresentou três episódios febris (38o, 38,5o e 38,9o C).
Pegadinha central: febre tardia depois de vários dias afebris não deve ser automaticamente incorporada ao diagnóstico inicial.
Em lactente pequeno com febre nova, pense especialmente em ITU, otite, pneumonia e nova infecção viral.
Bronquiolite pode ter febre, mas a cronologia é o detalhe que faz a alternativa E ser a exceção.
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Contexto
Bronquiolite viral aguda pode cursar com febre, especialmente no início, mas o dado que muda o raciocínio é a cronologia: este lactente permaneceu afebril por vários dias e, somente no quinto dia de internação, passou a apresentar três picos de 38,0 a 38,9 °C. Febre nova nessa fase não deve ser automaticamente atribuída ao vírus que motivou a internação.
Em um lactente de apenas 6 semanas, febre nova exige procura ativa de foco. Entre as possibilidades estão otite média aguda, infecção urinária, pneumonia bacteriana secundária e aquisição de outro vírus durante a internação. A presença de um diagnóstico viral prévio reduz a probabilidade de algumas infecções bacterianas, mas não as exclui.
O raciocínio de prova é evitar ancoragem diagnóstica. Um quadro inicialmente explicado por bronquiolite não justifica todo evento clínico que aparece depois, sobretudo uma mudança nítida do padrão evolutivo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pneumonia bacteriana secundária é uma possibilidade diante de febre nova, especialmente se surgirem piora respiratória, necessidade crescente de oxigênio, assimetria auscultatória ou imagem compatível.
B) Incorreta. Otite média aguda pode acompanhar ou complicar infecções virais respiratórias e deve ser pesquisada em lactente que passa a apresentar febre.
C) Incorreta. Infecção do trato urinário é causa importante de febre sem foco em lactentes pequenos e continua fazendo parte da investigação mesmo quando existe infecção viral respiratória conhecida.
D) Incorreta. Internação em enfermaria pediátrica cria oportunidade para aquisição de outro vírus respiratório ou gastrointestinal. Uma segunda infecção pode explicar o início tardio da febre.
E) Correta (gabarito). O problema não é dizer que bronquiolite jamais causa febre. O erro é atribuir à bronquiolite original uma febre que surgiu apenas no quinto dia após vários dias afebris. Essa mudança temporal exige busca de complicação ou nova infecção.