Pegadinha central: aspirina e AINEs aparecem como fator protetor epidemiológico para câncer colorretal, não como fator de risco.
Carne processada, obesidade e DII crônica são associações que a banca repete.
FAP implica risco muito alto de câncer colorretal e muda completamente a estratégia de rastreamento e prevenção.
Proteção epidemiológica por AAS não significa indicação de automedicação preventiva.
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Contexto
A questão pede a exceção entre fatores associados a maior incidência de câncer intestinal. Para câncer colorretal, obesidade, sedentarismo, tabagismo, álcool e alto consumo de carne vermelha ou processada aumentam risco; síndromes hereditárias e doença inflamatória intestinal crônica também elevam substancialmente o risco.
O ponto discriminador é que o uso regular de aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroidais se associa a menor incidência de adenomas e câncer colorretal, provavelmente pela inibição da via da ciclo-oxigenase, especialmente COX-2. Esse efeito epidemiológico não significa que AAS ou AINE devam ser prescritos rotineiramente apenas para prevenção de câncer em pessoas de risco médio, porque sangramento gastrointestinal, lesão renal e outros eventos adversos podem superar o benefício.
A doença celíaca merece uma nuance: ela não é um fator clássico de risco de câncer colorretal como a colite ulcerativa extensa, mas está associada a maior risco de neoplasias do intestino delgado, incluindo adenocarcinoma, além de linfoma associado à enteropatia. Como o enunciado fala em câncer de intestino de forma ampla, a alternativa D reúne associações reconhecidas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a exceção. Aspirina e AINEs estão associados a redução do risco de adenomas e câncer colorretal, embora não sejam indicados de rotina apenas com essa finalidade em indivíduos de risco médio.
B) Incorreta. Obesidade é fator de risco estabelecido para câncer colorretal, e consumo elevado de carnes e produtos processados, especialmente carnes processadas, também se associa a maior risco.
C) Incorreta. Polipose adenomatosa familiar confere risco extremamente alto de câncer colorretal sem manejo preventivo. Síndromes hamartomatosas, incluindo polipose juvenil, também aumentam risco gastrointestinal e exigem vigilância específica.
D) Incorreta. Doença inflamatória intestinal colônica extensa e de longa duração aumenta o risco de câncer colorretal. Doença celíaca está associada a neoplasias do intestino delgado, o que torna a alternativa compatível com o enunciado amplo.