Pegadinha central: reparo direto sem tensão é melhor que enxerto quando tecnicamente possível.
Ramos bucal e zigomático têm maior arborização e melhor chance de compensação.
Secção traumática reconhecida deve ser reconstruída precocemente, não observada por 6 meses antes de qualquer decisão.
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Contexto
O nervo facial percorre um trajeto longo e vulnerável desde o tronco encefálico, atravessa o osso temporal e, após sair pelo forame estilomastoideo, divide-se em ramos extracranianos. Por essa combinação de trajeto intraósseo, exposição a trauma temporal e vulnerabilidade iatrogênica em cirurgia de parótida e face, é classicamente descrito como o nervo craniano mais frequentemente acometido por paralisia.
Nos ramos extracranianos, bucal e zigomático apresentam maior interconexão e redundância, o que favorece recuperação funcional quando comparados aos ramos mais extremos, como temporal e marginal mandibular. Quando há secção reconhecida, o princípio reconstrutivo é reparo primário término-terminal sem tensão. Enxerto interposto é usado quando não é possível aproximar os cotos sem tensão.
Lesões traumáticas ou iatrogênicas com suspeita de transecção não devem simplesmente aguardar 6 meses para exploração. Quando a secção é reconhecida, a reconstrução precoce oferece melhores condições para identificação dos cotos e reabilitação. O momento exato depende do mecanismo, localização, início da paralisia e testes eletrofisiológicos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O nervo facial é classicamente o nervo craniano mais associado a quadros de paralisia periférica, pela combinação de longo trajeto e vulnerabilidade anatômica.
B) Incorreta. Ramos bucal e zigomático possuem anastomoses mais abundantes e, por isso, tendem a apresentar melhor compensação e recuperação do que ramos periféricos com menor redundância.
C) Incorreta. Uma transecção traumática ou iatrogênica conhecida deve ser avaliada para reparo precoce. Esperar 6 meses pode aumentar retração, fibrose e dificuldade de reconstrução direta.
D) Incorreta. Quando é possível aproximar os cotos sem tensão, a anastomose primária oferece melhor resultado que o enxerto. O enxerto é uma solução para defeitos em que o reparo direto criaria tensão excessiva.