Paciente de 70 anos, com diagnóstico prévio de doença pulmonar obstrutiva crônica GOLD III, procurou a Emergência por piora do padrão da dispneia (mMRC 2 para 3) e tosse seca. Vinha fazendo uso frequente do broncodilatador inalatório nos últimos 5 dias. À admissão, apresentava-se lúcido, taquipneico (frequência respiratória de 30 mpm), taquicárdico (110 bpm), afebril, com pressão arterial de 120/70 mmHg e oximetria digital de 88%. A gasometria arterial em ar ambiente revelou pH de 7,32, PaCO2 de 47 mmHg e PaO2 de 60 mmHg. O leucograma indicou 12 mil leucócitos/mm³, com 3% de bastões, 60% de neutrófilos e 4% de eosinófilos, sem linfopenia. A dosagem da proteína C reativa mostrou 10 mg/dl.
Pegadinha central: não é preciso ter escarro purulento para indicar antibiótico se o paciente necessita ventilação mecânica, inclusive VNI.
pH ≤ 7,35 com hipercapnia em exacerbação de DPOC é indicação clássica de VNI se não houver contraindicação.
Oxigênio no DPOC exacerbado deve ser titulado, usualmente para SpO2 de 88% a 92%.
Broncodilatador + corticoide sistêmico são pilares; a necessidade de suporte ventilatório acrescenta antibiótico.
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Contexto
O paciente tem exacerbação aguda de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica: pH 7,32 e PaCO2 de 47 mmHg. O GOLD 2026 recomenda ventilação não invasiva como suporte inicial preferencial em pacientes com exacerbação de DPOC que desenvolvem acidose respiratória aguda, tipicamente pH ≤ 7,35 com PaCO2 elevada, desde que não haja contraindicação à técnica.
O tratamento farmacológico combina broncodilatadores de curta ação e corticosteroide sistêmico. O GOLD 2026 mantém cursos curtos de corticosteroide sistêmico, com benefício em recuperação do VEF1, oxigenação, tempo de internação e risco de falha terapêutica. A oxigenoterapia deve ser titulada cuidadosamente, em geral buscando saturação de 88% a 92%, para corrigir hipoxemia sem agravar retenção de CO2.
A grande pegadinha é o antibiótico. O paciente não apresenta expectoração purulenta, mas o GOLD 2026 recomenda antibiótico em exacerbação de DPOC quando há necessidade de ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva. Portanto, a própria indicação de VNI já sustenta antibioticoterapia. Leucocitose e PCR elevada podem reforçar inflamação, mas não são o critério principal que fecha a alternativa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Broncodilatador e VNI estão indicados, mas faltam corticosteroide sistêmico e antibiótico. O quadro é grave o suficiente para justificar ambos.
B) Incorreta. Acrescenta corretamente corticosteroide, mas omite antibiótico. Segundo o GOLD 2026, necessidade de ventilação não invasiva é indicação de antibioticoterapia na exacerbação.
C) Incorreta. Antibiótico e VNI estão adequados, mas falta corticosteroide sistêmico, que reduz falha terapêutica e acelera recuperação na exacerbação moderada ou grave.
D) Correta (gabarito). Contém todos os componentes exigidos pelo caso: broncodilatador, corticosteroide, antibiótico e ventilação não invasiva.