Paciente de 79 anos solicitou a seu clínico, em teleconsulta, orientações para prevenção de constipação. Ela, que já havia apresentado episódio de fecaloma, encontrava-se bastante receosa, pois reiniciará em breve tratamento quimioterápico para mieloma múltiplo.
Pegadinha central: ondansetrona não causa apenas cefaleia; constipação é efeito adverso clássico e pode ser relevante em idosos.
Talidomida, opioides e anticolinérgicos são causas medicamentosas importantes de constipação.
Enema trata situações selecionadas; não é estratégia padrão de prevenção.
Fibra ajuda quando o trânsito e a hidratação permitem; não deve ser aumentada cegamente diante de impactação ou obstrução.
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Contexto
Constipação em idosos é frequentemente multifatorial e a revisão medicamentosa é uma das etapas mais produtivas. No contexto oncológico, ondansetrona, antagonista 5-HT3, reduz motilidade intestinal e causa constipação com frequência. Talidomida também é reconhecidamente constipante, podendo somar efeito a opioides, anticolinérgicos, ferro, cálcio e outros fármacos usados em pacientes com câncer.
A prevenção começa com correção de fatores reversíveis, hidratação adequada quando não houver contraindicação, mobilidade e ajuste da ingestão de fibras. Em pacientes de alto risco ou recebendo drogas fortemente constipantes, laxativos orais osmóticos ou estimulantes podem ser necessários de forma programada. Enemas ficam para situações selecionadas, como impactação fecal ou necessidade de esvaziamento distal, e não são primeira linha para prevenção crônica.
Fibras não são universalmente contraindicadas, mas precisam ser individualizadas. Em fecaloma atual, obstrução, megacólon, mobilidade intestinal muito reduzida ou incapacidade de manter hidratação, aumentar volume fecal sem tratar o problema mecânico pode piorar sintomas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Enemas não são primeira linha de prevenção. Medidas comportamentais, revisão de fármacos e laxativos orais são preferidos; enemas são reservados para indicações específicas, especialmente conteúdo fecal distal impactado.
B) Correta (gabarito). Tanto ondansetrona quanto talidomida podem agravar a constipação. Em uma paciente com antecedente de fecaloma que retomará quimioterapia, antecipar esse efeito adverso permite instituir prevenção antes que ocorra nova impactação.
C) Incorreta. Fibras solúveis podem ser úteis na prevenção quando há ingestão hídrica adequada e não existe fecaloma ou obstrução. A contraindicação absoluta proposta pela alternativa é falsa.
D) Incorreta. Muitos antidepressivos, sobretudo tricíclicos e outros com efeito anticolinérgico, pioram constipação. Eles não devem ser usados com o objetivo de preveni-la.