Paciente com 22 semanas de sua 3ª gestação, até o momento sem intercorrências, procurou o Centro Obstétrico com queixa de desconforto abdominal. Em seu histórico, constavam partos com 32 e 28 semanas de gestação. Já havia realizado 4 consultas no pré-natal. Exames laboratoriais recentes mostraram urocultura negativa, anti-HIV negativo e hemoglobina de 10 g/dl. Ao exame, os batimentos cardiofetais estavam presentes. O toque vaginal revelou colo com orifício interno fechado.
Pegadinha central: a prova cobra progesterona vaginal pelo antecedente de prematuridade, mas a recomendação ACOG atual exige colo curto para indicá-la nessa situação.
Toque com colo fechado não equivale a comprimento cervical normal no ultrassom transvaginal.
Anemia leve a moderada na gestação, sem contraindicação ao tratamento oral, começa com ferro por via oral.
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Contexto
A paciente tem dois problemas diferentes: anemia e alto risco de recorrência de parto prematuro. Com 22 semanas e hemoglobina de 10 g/dL, há anemia gestacional, e na ausência de intolerância, má absorção ou necessidade de correção muito rápida, o tratamento inicial é ferro por via oral.
Quanto à prematuridade, o antecedente de dois partos espontâneos com 32 e 28 semanas coloca a gestante em alto risco. O gabarito da questão segue a estratégia tradicional, ainda utilizada em protocolos brasileiros, de progesterona vaginal para prevenção de recorrência. A via vaginal é a via estudada para prevenção de parto prematuro e não deve ser trocada por progesterona oral apenas por conveniência.
Há uma atualização importante para prova e prática. O ACOG, em atualização de 2023 ainda vigente, passou a afirmar que progesterona vaginal não deve ser oferecida apenas pelo antecedente de parto prematuro espontâneo quando não há colo curto; nessas pacientes recomenda-se avaliação seriada do comprimento cervical por ultrassonografia transvaginal, reservando progesterona vaginal para quem apresenta encurtamento. Como a questão tem gabarito fixo, é preciso reconhecer que ela cobra a recomendação anterior ou um protocolo brasileiro que ainda considera o antecedente suficiente. O toque com orifício interno fechado não substitui a medida ultrassonográfica do comprimento cervical.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Corrige a anemia, mas ignora a prevenção da recorrência de prematuridade segundo a referência adotada pela prova.
B) Incorreta. O ferro oral é adequado, porém a progesterona oral não é a via de escolha com evidência para prevenção de parto prematuro nesse contexto.
C) Correta (gabarito). Combina o tratamento inicial apropriado da anemia, com ferro oral, e a estratégia de progesterona vaginal cobrada pela prova para paciente com forte antecedente de parto prematuro espontâneo.
D) Incorreta. A progesterona vaginal acompanha a lógica do gabarito, mas ferro intravenoso não é primeira escolha para uma anemia desse grau em paciente estável que pode usar ferro oral. Ferro parenteral é reservado para situações como intolerância, má absorção, falha terapêutica ou necessidade de reposição mais rápida.