Paciente de 15 anos foi admitido no Centro de Tratamento Intensivo após acidente por submersão. Encontrava-se em coma, necessitando de suporte ventilatório. Após as primeiras 24 horas de observação, as avaliações clínica e neurológica sugeriram que o paciente apresentava morte encefálica (ME).
Pegadinha central: morte encefálica não é “Glasgow 3”. O tripé é coma não perceptivo, ausência de reflexos supraespinhais e apneia persistente.
Encefalopatia hipóxico-isquêmica exige pelo menos 24 horas de observação antes do protocolo.
Respiração agônica exclui apneia.
Acima de 2 anos, o intervalo mínimo entre os dois exames clínicos é de 1 hora.
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Contexto
A Resolução CFM nº 2.173/2017 define os elementos clínicos que permitem iniciar os procedimentos para determinação de morte encefálica: coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e apneia persistente, além de pré-requisitos que excluam condições reversíveis. A lesão encefálica precisa ter causa conhecida, ser irreversível e capaz de produzir morte encefálica; fatores confundidores como hipotermia, intoxicação, sedação relevante e distúrbios metabólicos graves devem estar resolvidos ou adequadamente avaliados.
O caso de submersão é especialmente importante porque pode causar encefalopatia hipóxico-isquêmica. Nessa situação, a própria Resolução exige período mínimo de 24 horas de tratamento e observação antes do início do protocolo. O adolescente tem 15 anos, portanto, para estabilidade hemodinâmica, a Resolução estabelece pressão sistólica mínima de 90 mmHg ou pressão arterial média mínima de 65 mmHg para a faixa de 7 a 15 anos, além de temperatura central acima de 35 graus Celsius e saturação arterial de oxigênio acima de 94%.
A determinação exige dois exames clínicos por médicos capacitados, teste de apneia e exame complementar que demonstre ausência de perfusão, atividade metabólica ou atividade elétrica encefálica. Acima de 2 anos, o intervalo mínimo entre os dois exames clínicos é de 1 hora.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Respiração agônica significa que ainda há movimentos respiratórios e, portanto, não existe apneia persistente. Ela é incompatível com o requisito clínico para morte encefálica.
B) Correta (gabarito). A tríade reproduz exatamente os critérios clínicos descritos pela Resolução CFM nº 2.173/2017: coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e apneia persistente.
C) Incorreta. Escala de Glasgow 3 não substitui o exame específico de morte encefálica. Pupilas não precisam estar dilatadas, apenas fixas e arreativas; além disso, respiração agônica afasta apneia.
D) Incorreta. Glasgow 4 implica alguma resposta e não corresponde ao coma não perceptivo exigido. Anisocoria isolada também não define morte encefálica, pois as pupilas podem ter tamanhos diferentes, desde que estejam fixas e sem resposta à luz.