Câncer de mama

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Questão 23
HCPA · 2021

Paciente de 45 anos veio ao Ambulatório queixando-se de dor e vermelhidão na mama direita. Havia consultado no Posto de Saúde, tendo-lhe sido prescritas cefalexina por 7 dias e, posteriormente, clindamicina por 14 dias. Como não houve melhora, foi encaminhada para atendimento em nível terciário. À palpação da axila direita, foram detectados linfonodos fusionados e aderidos. A imagem abaixo reproduz a inspeção estática.

Figura da questão 23 da HCPA 2021
Figura da questão

Qual a hipótese diagnóstica mais provável e qual a sequência de tratamento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A imagem mostra mama com eritema e edema cutâneo difuso, e o caso acrescenta ausência de resposta a dois esquemas antibióticos e linfonodos axilares fusionados e aderidos. Em mulher não lactante, essa combinação deve levantar suspeita imediata de carcinoma inflamatório da mama, apresentação agressiva causada por invasão tumoral dos linfáticos dérmicos. Clinicamente pode haver aumento rápido da mama, eritema, calor, edema e aspecto de pele em casca de laranja, frequentemente sem um nódulo dominante bem delimitado.

O diagnóstico requer confirmação histológica por biópsia da mama, com estudo de receptores hormonais e HER2, e avaliação de extensão. O carcinoma inflamatório é classificado clinicamente como T4d. Em doença não metastática, a sequência terapêutica padrão é tratamento sistêmico neoadjuvante, cirurgia e radioterapia. A cirurgia usual após resposta adequada é mastectomia radical modificada, e não cirurgia conservadora. O regime sistêmico é definido pelo subtipo tumoral, podendo incluir quimioterapia, terapia anti-HER2 e outros agentes conforme biomarcadores.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Carcinoma papilífero não é a apresentação típica de eritema e edema difusos com linfonodos axilares aderidos. O fenótipo clínico descrito é inflamatório.

B) Incorreta. Abscesso mamário costuma produzir coleção focal, dor e frequentemente flutuação. A ausência de resposta antibiótica prolongada, associada a linfonodos fusionados e alteração difusa da pele, exige investigação de neoplasia. Ciprofloxacino também não transforma esse quadro em indicação de tratamento infeccioso.

C) Incorreta. Mastite fora do puerpério que não melhora com antibióticos adequados deve levar à investigação de câncer, em vez de simplesmente trocar repetidamente o antimicrobiano.

D) Correta (gabarito). O quadro clínico e a imagem são compatíveis com carcinoma inflamatório. Após confirmação histológica e estadiamento, a estratégia para doença não metastática começa com terapia sistêmica neoadjuvante e segue com cirurgia, complementada por radioterapia.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: “mastite” não puerperal que não responde a antibiótico é câncer inflamatório até ser adequadamente excluído.

  • Carcinoma inflamatório é T4d e costuma cursar com eritema, edema e casca de laranja.

  • Não se opera primeiro. A sequência clássica é terapia sistêmica neoadjuvante, mastectomia e radioterapia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Câncer de mama” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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