Paciente masculino, de 60 anos, com histórico de hipertensão arterial sistêmica, tabagismo e claudicação intermitente não limitante, veio à consulta para avaliação de aneurisma de aorta infrarrenal identificado à ultrassonografia abdominal.
Pegadinha central: ultrassom acompanha o aneurisma; angiotomografia planeja o reparo.
AAA sintomático não espera obrigatoriamente atingir o diâmetro eletivo clássico.
Trombo mural dentro do aneurisma não significa indicação automática de anticoagulação.
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Contexto
O aneurisma de aorta abdominal infrarrenal é definido, em geral, por diâmetro aórtico máximo de pelo menos 3,0 cm. A ultrassonografia é excelente para diagnóstico, rastreamento e vigilância seriada, mas o planejamento de uma correção aberta ou endovascular exige detalhamento anatômico muito maior. As ESVS Clinical Practice Guidelines 2024 usam a angiotomografia como exame central para definir diâmetro máximo, extensão, colo proximal, relação com artérias renais, anatomia ilíaca, trombos, calcificações e acesso para endoprótese.
O diâmetro é decisivo no aneurisma assintomático, mas não é o único critério de intervenção. Dor abdominal ou lombar atribuível ao aneurisma, sinais de embolização, rotura ou expansão acelerada mudam a urgência do tratamento. Um aneurisma verdadeiramente sintomático deve ser avaliado para reparo independentemente de ainda não ter alcançado o limiar eletivo clássico usado no paciente assintomático.
Trombo mural é frequente no aneurisma e, isoladamente, não indica anticoagulação. A ausência de pulsos femorais pode refletir doença arterial obstrutiva coexistente ou comprometimento ilíaco, mas não constitui, por si só, critério de reparo do aneurisma.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Trombo mural é achado comum dentro do aneurisma e não constitui indicação de anticoagulação profilática com heparina ou anticoagulante oral. Anticoagulação é reservada a outra indicação clínica específica.
B) Incorreta. No aneurisma assintomático, o diâmetro participa diretamente da decisão de reparo. No aneurisma sintomático, porém, a presença de sintomas atribuíveis ao aneurisma pode indicar intervenção mesmo abaixo do limiar eletivo usual.
C) Incorreta. Pulso femoral ausente sugere doença oclusiva ou alteração do eixo ilíaco e precisa ser investigado, mas não é critério autônomo de reparo precoce do aneurisma.
D) Correta (gabarito). A angiotomografia é o exame de escolha para o planejamento terapêutico porque define a anatomia necessária para decidir viabilidade de correção endovascular, estratégia de acesso e detalhes da cirurgia aberta.