Menino de 14 meses de idade foi trazido à consulta por palidez cutânea e pica. Em seu histórico, constavam peso de nascimento de 2.110 g e idade gestacional de 34 semanas. A alimentação era variada e havia registro de bom ganho ponderal. Familiares negaram anemia ou uso de medicações no primeiro ano de vida. A tabela abaixo mostra os resultados do hemograma.

Pegadinha central: microcitose mais hipocromia mais RDW alto mais pica aponta para ferropriva; trombocitose reacional reforça o cenário.
Ex-prematuro e baixo peso sem profilaxia de ferro têm risco elevado de deficiência.
Tratamento de primeira linha é ferro ferroso oral; pense em aproximadamente 3 mg/kg/dia de ferro elementar no esquema pediátrico usual.
Transfusão depende de repercussão clínica, não apenas do valor da hemoglobina.
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Contexto
O hemograma mostra anemia microcítica e hipocrômica importante: hemoglobina 7,9 g/dL, hematócrito 21%, VCM 47 fL, HCM 22 pg e CHCM 25 g/dL. O RDW de 25% indica anisocitose acentuada e favorece deficiência de ferro, enquanto plaquetas de 750.000/mm³ são compatíveis com trombocitose reacional frequentemente vista na anemia ferropriva. A pica reforça o diagnóstico.
O antecedente de prematuridade de 34 semanas e peso ao nascer de 2.110 g aumenta o risco de deficiência de ferro, especialmente sem registro de suplementação profilática no primeiro ano. No manejo pediátrico brasileiro, o tratamento da anemia ferropriva é feito preferencialmente com sal ferroso por via oral. Referências do Ministério da Saúde utilizam cerca de 3 mg/kg/dia de ferro elementar para tratamento em crianças, com ajuste conforme gravidade e protocolo. Espera-se resposta hematológica, incluindo elevação da hemoglobina ao longo das semanas; o tratamento deve prosseguir tempo suficiente para corrigir também os estoques.
Transfusão não é decidida por um número isolado de hemoglobina. Em criança hemodinamicamente estável, sem choque, insuficiência cardíaca ou hipóxia importante, a prioridade é reposição de ferro. Ferro intravenoso é reservado para situações selecionadas, como intolerância relevante, má absorção, impossibilidade de uso oral ou falha documentada do tratamento adequadamente administrado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Sulfato ferroso por via oral trata a causa mais provável, deficiência de ferro, e é a via preferencial em criança estável com capacidade de absorção gastrointestinal preservada.
B) Incorreta. Deficiência de folato causa anemia megaloblástica, geralmente macrocítica, não VCM de 47 fL com hipocromia e RDW elevado.
C) Incorreta. Sacarato de hidróxido férrico intravenoso não é primeira linha neste cenário. A via parenteral fica para situações em que o ferro oral não pode ser usado ou não funciona apesar de adesão e indicação corretas.
D) Incorreta. Hemoglobina de 7,9 g/dL, isoladamente, não obriga transfusão em criança estável. Concentrado de hemácias é reservado para anemia com repercussão clínica importante, instabilidade hemodinâmica ou situações específicas.