Paciente encontra-se na 14ª semana de sua 5ª gestação, até o momento sem intercorrências. Em seu histórico, constavam dois abortamentos, com 17 e 19 semanas. Em duas outras gestações, havia apresentado modificação do colo uterino sem dor associada, chegando ao hospital com dilatação avançada (7-8 cm), o que ocasionou partos prematuros, com 22 e 23 semanas. Não tem filhos vivos. Os exames de pré-natal estavam normais.
Pegadinha central: dilatação cervical indolor recorrente no segundo trimestre = insuficiência cervical até prova em contrário.
História obstétrica clássica indica cerclagem profilática; não é necessário esperar colo curto.
A janela habitual da cerclagem eletiva é no início do segundo trimestre, por volta de 12 a 14 semanas.
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Contexto
Insuficiência cervical é a incapacidade do colo de manter a gestação, tipicamente manifestada por dilatação cervical indolor no segundo trimestre, levando a perdas fetais ou parto extremamente prematuro na ausência de contrações típicas. A história desta paciente é praticamente prototípica: perdas com 17 e 19 semanas e, depois, duas gestações com dilatação silenciosa de 7 a 8 cm e partos com 22 e 23 semanas.
Nesse padrão de recorrência, a prevenção é feita com cerclagem indicada pela história obstétrica, sem necessidade de esperar o colo encurtar na ultrassonografia. O ACOG Practice Bulletin sobre insuficiência cervical, reafirmado em 2024, mantém a cerclagem como estratégia para pacientes com história fortemente compatível. A colocação profilática costuma ser realizada no início do segundo trimestre, aproximadamente entre 12 e 14 semanas, podendo ser feita em janela próxima até 16 semanas conforme protocolo e avaliação clínica.
A paciente está com 14 semanas, assintomática e com pré-natal normal, exatamente o momento em que a cerclagem eletiva oferece prevenção antes que ocorra nova dilatação. Repouso e pessário não substituem uma indicação histórica tão forte.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A medida transvaginal do colo é útil para vigilância de pacientes com risco de prematuridade, mas aqui a história já estabelece um fenótipo clássico de insuficiência cervical recorrente. Esperar encurtamento pode perder a oportunidade de prevenção eletiva.
B) Correta (gabarito). A combinação de perdas recorrentes no segundo trimestre e dilatação cervical avançada sem dor em gestações anteriores é indicação clássica de cerclagem profilática baseada na história.
C) Incorreta. Pessário cervical não tem evidência suficiente para substituir cerclagem em insuficiência cervical clássica com recorrência de perdas e prematuridade extrema.
D) Incorreta. Repouso domiciliar não demonstrou prevenir parto prematuro e ainda pode aumentar complicações de imobilidade, como tromboembolismo e descondicionamento.