A avaliação da demência deve começar com uma história detalhada do início do problema, obtida com o paciente, familiares ou cuidadores.
Pegadinha central: queixa de memória isolada não fecha demência; procure declínio cognitivo + perda de independência funcional.
Depois de reconhecer a síndrome, a prova costuma cobrar a segunda etapa: definir a etiologia.
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Contexto
A avaliação de possível demência tem duas tarefas diferentes e obrigatórias: confirmar que existe uma síndrome de declínio cognitivo com repercussão funcional e, depois, investigar sua causa. A história deve caracterizar início, velocidade de progressão, domínios cognitivos afetados, alterações comportamentais, repercussão em atividades instrumentais e básicas de vida diária e informações de familiares ou cuidadores. Testes cognitivos ajudam, mas não substituem a anamnese nem a avaliação funcional.
Queixa de memória não é sinônimo de demência. Depressão, ansiedade, privação de sono, fadiga, delirium, uso de medicamentos, alterações sensoriais e doenças metabólicas podem gerar ou agravar sintomas cognitivos. Depois de reconhecer a síndrome, deve-se buscar a etiologia, considerando doença de Alzheimer, demência vascular, demência com corpos de Lewy, degeneração frontotemporal e causas potencialmente tratáveis ou contribuintes. Exames laboratoriais e neuroimagem são escolhidos conforme o contexto clínico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Alterações subjetivas de memória são frequentes em depressão, ansiedade, fadiga, distúrbios do sono e diversas condições clínicas. O diagnóstico exige demonstrar padrão de declínio e impacto funcional, e não apenas registrar esquecimento.
B) Correta (gabarito). A avaliação não termina ao reconhecer uma síndrome demencial. É necessário investigar a etiologia específica, pois prognóstico, tratamento, aconselhamento e necessidade de exames adicionais dependem da causa.
C) Incorreta. Esquecimento é uma das queixas cognitivas mais frequentes. O restante da frase descreve corretamente a necessidade de investigar início, qualidade e progressão, mas a afirmação de que a queixa é incomum invalida a alternativa.
D) Incorreta. A funcionalidade pode e deve ser explorada pela anamnese com paciente e informante, perguntando sobre finanças, medicações, compras, preparo de refeições, transporte, higiene e outras tarefas. Escalas estruturadas complementam e padronizam essa informação, mas não são a única forma de obtê-la.