Em abril de 2020, durante a pandemia da COVID-19, uma mãe, que é enfermeira, fez contato à noite com o pediatra de seu filho de 1 mês de vida por estar preocupada com a febre e a tosse apresentadas há cerca de 3 dias. Relatou que, durante aquele dia, ele recusara a fórmula láctea infantil. A pedido do médico, a mãe forneceu as seguintes informações constantes da Caderneta de Saúde da Criança: idade gestacional do recém-nascido – 39 semanas e 5 dias; parto – cesáreo; peso de nascimento – 3.230 g; comprimento – 49 cm; índice de Apgar – 7 (1º minuto) e 9 (5º minuto). Não houve intercorrências no pré-natal. O médico também foi informado de que, naquele momento, a contagem de respirações por minuto era de 70 mpm e de que havia sibilos à ausculta respiratória.
Pegadinha central: em menor de 2 meses, a idade muda o limiar de preocupação. FR igual ou superior a 60 por minuto já é respiração rápida.
Recusa alimentar em lactente jovem é sinal de perigo, não mero sintoma de resfriado.
Sibilância em lactente não significa asma e não justifica usar broncodilatador disponível em casa.
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Contexto
Um lactente de 1 mês pertence ao grupo de 0 a 59 dias, no qual febre, dificuldade para alimentar-se e alterações respiratórias têm limiar muito baixo para avaliação hospitalar. A OMS, em suas recomendações de 2024 para infecções bacterianas graves em lactentes de 0 a 59 dias, considera respiração rápida frequência respiratória igual ou superior a 60 por minuto; dificuldade importante para alimentar-se e febre também são sinais de possível infecção grave. O paciente tem 70 movimentos por minuto e recusou a fórmula, portanto não é candidato a observação domiciliar até o dia seguinte.
O quadro pode ser viral, inclusive bronquiolite, mas em um lactente tão jovem a prioridade é reconhecer gravidade, hipoxemia, apneia, desidratação e infecção bacteriana invasiva. A presença de sibilância não autoriza tratamento empírico em casa com broncodilatador, e antecedentes de asma em um irmão não mudam a conduta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Adiar a avaliação até a manhã seguinte é inadequado diante de taquipneia importante e recusa alimentar em lactente de 1 mês, porque a deterioração pode ser rápida.
B) Incorreta. Antitérmico pode aliviar desconforto em situações apropriadas, mas não resolve a necessidade de avaliação urgente. Além disso, a decisão de encaminhar não depende apenas do valor da temperatura, e sim da combinação de idade e sinais de perigo.
C) Incorreta. Fenoterol não deve ser administrado por analogia com a asma do irmão. Em bronquiolite, broncodilatadores beta-agonistas não são terapia rotineira, e um lactente de 1 mês com sinais de gravidade precisa ser examinado antes de qualquer tentativa domiciliar desse tipo.
D) Correta (gabarito). A idade de 1 mês somada a frequência respiratória de 70 por minuto e recusa alimentar impõe avaliação imediata em serviço de emergência hospitalar.