Paciente de 56 anos, G2P2, com menopausa aos 52 anos, submeteu-se a uma histerectomia laparoscópica por miomatose uterina e sangramento uterino não responsivo a tratamento clínico. No 1º dia pós-operatório, apresentou febre (38º C).
Pegadinha central: prova antiga pode cobrar “febre precoce igual a atelectasia”, mas a evidência moderna questiona essa relação causal.
Febre no primeiro dia sem foco costuma ser inflamatória; não se deve prescrever antibiótico apenas pelo relógio pós-operatório.
Ferida operatória, ITU e tromboflebite pélvica exigem correlação com sintomas, exame físico e evolução temporal.
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Contexto
O gabarito da prova é atelectasia, refletindo o ensino tradicional de que febre nas primeiras 24 a 48 horas após cirurgia seria frequentemente causada por colapso de pequenas áreas pulmonares decorrente de anestesia, dor e hipoventilação. Por essa lógica clássica, infecção de ferida, infecção urinária e tromboflebite pélvica séptica costumam aparecer mais tarde.
Há, porém, uma divergência importante com a evidência contemporânea. Revisões clínicas, inclusive uma revisão publicada em 2025, não demonstram relação causal consistente entre atelectasia e febre pós-operatória. Hoje, febre isolada no primeiro dia, sem foco e sem instabilidade, é mais frequentemente interpretada como resposta inflamatória estéril ao trauma cirúrgico, embora sempre seja necessário procurar causas específicas se houver sinais clínicos associados. Assim, mantém-se o gabarito D porque ele é fixo e representa a referência histórica utilizada pela questão, mas o conceito “atelectasia causa febre” não deve ser transportado sem crítica para a prática atual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Infecção de sítio cirúrgico é improvável como causa de febre isolada já no primeiro dia, principalmente sem alterações locais. Em geral manifesta-se após intervalo maior, embora infecções muito precoces possam ocorrer em situações específicas.
B) Incorreta. Infecção urinária relacionada a sondagem não costuma explicar febre isolada nas primeiras horas após cirurgia sem sintomas ou outros achados compatíveis.
C) Incorreta. Tromboflebite pélvica séptica costuma ser lembrada diante de febre persistente ou recorrente, frequentemente após cirurgia ou puerpério, e não como explicação típica do primeiro dia.
D) Correta (gabarito). É a resposta esperada pela referência tradicional da prova para febre no primeiro dia pós-operatório. Na prática atual, entretanto, a associação causal entre atelectasia e febre não é sustentada de forma consistente, e resposta inflamatória pós-operatória é explicação mais adequada quando não existe foco infeccioso.