Recém-nascido apresentou taquipneia, gemência e febre de 38,5º C com 24 horas de vida. A mãe, com diagnóstico de corioamnionite, teve a bolsa rota 20 horas após o início do trabalho de parto. O parto foi vaginal. O escore de Apgar indicou 9 no 5º minuto, sem necessidade de manobras de reanimação. A equipe neonatal solicitou a realização de hemocultura e leucograma, o qual demonstrou leucocitose.
Pegadinha central: recém-nascido sintomático com suspeita de sepse recebe antibiótico após coleta de culturas, sem esperar o resultado.
Sepse neonatal precoce: pense primeiro em estreptococo do grupo B e E. coli.
Esquema clássico de prova: ampicilina mais gentamicina.
Leucocitose ou leucopenia ajudam no contexto, mas não fecham nem excluem sepse isoladamente.
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Contexto
Sepse neonatal precoce é aquela que se manifesta nos primeiros dias de vida, em geral relacionada à transmissão vertical. O recém-nascido deste caso tem sintomas claros com 24 horas de vida, taquipneia, gemência e febre, além de forte fator de risco obstétrico, corioamnionite. Nessa situação, hemocultura deve ser colhida sem atrasar o início do antibiótico.
O esquema empírico clássico é ampicilina associada à gentamicina. A combinação cobre os principais agentes de transmissão vertical, especialmente Streptococcus agalactiae do grupo B e bacilos Gram-negativos como Escherichia coli, além de oferecer cobertura para Listeria monocytogenes, hoje bem menos frequente, mas historicamente incluída nesse raciocínio. O leucograma isolado tem baixa capacidade de confirmar ou excluir sepse; o que obriga tratamento aqui é a clínica do recém-nascido.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Recém-nascido sintomático com suspeita de sepse não deve esperar a hemocultura positivar. A cultura é coletada antes do antibiótico quando isso pode ser feito sem atraso, e a terapia empírica é iniciada imediatamente.
B) Correta (gabarito). Ampicilina mais gentamicina é a combinação empírica tradicional para sepse neonatal precoce, com cobertura adequada para estreptococo do grupo B, E. coli e Listeria.
C) Incorreta. Vancomicina isolada não cobre adequadamente bacilos Gram-negativos e não é o esquema empírico de escolha para sepse de transmissão vertical. Ela tem papel maior em cenários de sepse tardia associada à assistência, sobretudo quando há risco de estafilococos resistentes.
D) Incorreta. Ceftriaxona não é a escolha de rotina no período neonatal, entre outros motivos pelo risco de deslocamento da bilirrubina da albumina e de precipitação com soluções contendo cálcio. Além disso, não fornece a cobertura desejada para Listeria.