Paciente de 35 anos, G2P0Ab1, com IMC de 48 kg/m² e 14 semanas de amenorreia, veio à consulta pré-natal com resultados de exames de rotina, dentre eles glicemia de jejum de 132 mg/dl e hemoglobina glicada de 6,7%. Sem queixas atuais, negou história de doenças crônicas.
Pegadinha central: no início da gestação, jejum de 92 a 125 mg/dL sugere DMG; jejum maior ou igual a 126 mg/dL aponta para diabetes manifesto.
O TOTG de 75 g entre 24 e 28 semanas é para quem ainda não fechou diagnóstico de diabetes.
HbA1c de 6,7% reforça hiperglicemia crônica, mas na gravidez a glicemia plasmática é o critério mais robusto para classificação.
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Contexto
Hiperglicemia detectada precocemente na gravidez precisa ser separada em diabetes mellitus diagnosticado na gestação, também chamado de diabetes manifesto ou provavelmente prévio não reconhecido, e diabetes mellitus gestacional. O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde usa glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dL como critério para diabetes diagnosticado na gestação; valores de 92 a 125 mg/dL no início da gestação entram no espectro de diabetes gestacional.
A paciente está com 14 semanas, glicemia de jejum de 132 mg/dL e HbA1c de 6,7%. Ambos estão em faixa de diabetes pelos critérios usuais. A atualização ADA Standards of Care 2026 recomenda rastrear diabetes não diagnosticado antes de 15 semanas usando critérios diagnósticos padrão, com preferência por critérios plasmáticos de glicose durante a gravidez. Aqui, a glicemia de jejum já ultrapassa 126 mg/dL e a HbA1c também está acima de 6,5%, reforçando que não se trata de hiperglicemia gestacional leve.
O TOTG de 75 g entre 24 e 28 semanas é destinado principalmente às gestantes que não preencheram previamente critérios de diabetes. Uma vez estabelecido diabetes manifesto no início da gravidez, adiar a definição para fazer TOTG não agrega informação útil e atrasa tratamento e estratificação de risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A ausência de necessidade de TOTG está correta, mas a classificação como diabetes gestacional está errada. Glicemia de jejum de 132 mg/dL ultrapassa o limite de 126 mg/dL para diabetes manifesto.
B) Incorreta. O diagnóstico de diabetes na gestação está correto, porém solicitar imediatamente TOTG é desnecessário diante de critérios já francamente diabéticos. O TOTG não é o próximo passo para confirmar um diagnóstico que já foi estabelecido por hiperglicemia em faixa de diabetes.
C) Incorreta. Não há apenas suspeita de diabetes gestacional precoce. A paciente já apresenta valores compatíveis com diabetes manifesto, e esperar até 24 a 28 semanas atrasaria tratamento.
D) Correta (gabarito). Trata-se de diabetes mellitus diagnosticado na gestação, provavelmente preexistente e ainda não reconhecido, e não há indicação de TOTG para reclassificar o quadro.