A diferenciação entre síncope verdadeira e convulsões de origem epiléptica exige uma história detalhada do episódio de perda de consciência.
Pegadinha central: convulsão motora não significa necessariamente epilepsia; síncope também pode produzir mioclonias.
Mioclonia que começa após a perda da consciência e recuperação rápida favorecem síncope.
Déjà vu, aura olfativa, mordedura lateral da língua e confusão pós-ictal favorecem epilepsia.
Incontinência urinária isolada não separa bem síncope de crise epiléptica.
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Contexto
A distinção entre síncope e crise epiléptica depende principalmente da sequência temporal dos fenômenos. Na síncope há hipoperfusão cerebral global transitória, com perda abrupta do tônus e da consciência; se a hipoperfusão persiste por alguns segundos, podem surgir abalos mioclônicos. A Diretriz ESC de Síncope 2018 destaca que movimentos anormais não excluem síncope. O detalhe que mais ajuda é que, na síncope convulsiva, os abalos costumam surgir depois da perda de consciência, são breves, irregulares, por vezes multifocais ou assimétricos, e são seguidos de recuperação rápida da orientação.
Incontinência urinária isoladamente tem baixo poder discriminativo e pode ocorrer em ambos os eventos. Já aura temporal estereotipada, mordedura lateral de língua e estado pós-ictal prolongado apontam para crise epiléptica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Déjà vu recorrente e sensação de odor desagradável são auras típicas de crise focal, particularmente de origem temporal. É o oposto do pródromo autonômico habitual da síncope reflexa.
B) Incorreta. Incontinência pode ocorrer na síncope, mas a mordedura nos lados da língua tem alta especificidade para crise epiléptica e torna o conjunto muito mais sugestivo de convulsão.
C) Incorreta. Na síncope verdadeira a perda de consciência costuma ser breve e a recuperação da orientação é rápida. Amnésia e alteração da consciência por vários minutos após o evento sugerem estado pós-ictal.
D) Correta (gabarito). Mioclonias breves e assimétricas que começam depois da perda de consciência são compatíveis com síncope convulsiva por hipoperfusão cerebral. A ordem dos eventos é o ponto discriminador.