Paciente de 27 anos, G3P2 (último parto há 3 anos e todas as gestações do mesmo companheiro), com 30 semanas de gestação, portadora de lúpus eritematoso sistêmico, assintomática, trouxe à consulta os resultados dos seguintes exames: VDRL 1:8 e FTA-Abs reagente. O exame físico não revelou alterações. Não tinha história de tratamento para sífilis.
Pegadinha central: lúpus pode falsear VDRL, mas VDRL mais teste treponêmico reagente não deve ser descartado como falso-positivo.
Sífilis de duração ignorada: penicilina benzatina 2,4 milhões UI por semana por 3 semanas, total 7,2 milhões UI.
Na gestante, intervalo entre doses deve ser de 7 a 9 dias; acima de 9 dias, reinicie o esquema.
Parceiro precisa de testagem e tratamento para impedir reinfecção, mas seu esquema depende do próprio estadiamento.
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Contexto
Lúpus pode causar falso-positivo em testes não treponêmicos como VDRL por produção de anticorpos antifosfolípides. Contudo, nesta paciente o FTA-Abs, um teste treponêmico, também é reagente. Sem história documentada de tratamento, o conjunto deve ser interpretado como sífilis e tratado imediatamente durante a gestação.
A gestante está assintomática, não há documentação de infecção recente e não existe tratamento anterior. Portanto, deve ser classificada como sífilis latente de duração ignorada. A Nota Técnica 14/2023 do Ministério da Saúde orienta benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI intramuscular semanal por 3 semanas, total de 7,2 milhões UI. Na gestação, as doses devem ser administradas idealmente a cada 7 dias e o intervalo não pode ultrapassar 9 dias; se ultrapassar, o esquema deve ser reiniciado.
As parcerias sexuais devem ser testadas, avaliadas e tratadas para evitar reinfecção. O gabarito B presume tratamento do companheiro com o mesmo total de 7,2 milhões UI. Na prática atual, o regime da parceria deve ser definido pelo próprio estágio clínico e histórico; se também tiver sífilis de duração desconhecida, recebe três doses. Portanto, a parte inequivocamente correta da alternativa B é o esquema da gestante e a necessidade de abordagem ativa do parceiro.
O título de VDRL não determina sozinho a necessidade de tratamento. Títulos baixos podem ocorrer em sífilis latente ou tardia, e títulos maiores também não definem estágio com segurança.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma dose de 2,4 milhões UI seria insuficiente para sífilis latente de duração ignorada. A gestante precisa de três doses semanais, totalizando 7,2 milhões UI.
B) Correta (gabarito). O esquema de 7,2 milhões UI, em três doses de 2,4 milhões UI, é o indicado para a gestante com sífilis de duração desconhecida. O parceiro também deve ser testado e tratado para evitar reinfecção; o esquema dele deve seguir o estágio identificado, sendo três doses se a duração também for desconhecida.
C) Incorreta. O lúpus pode tornar o VDRL falsamente reagente, mas não explica automaticamente um teste treponêmico FTA-Abs reagente. O conjunto sorológico, sem tratamento prévio, deve ser considerado sífilis.
D) Incorreta. VDRL 1:8 não é baixo o suficiente para excluir infecção e, mesmo títulos menores, não dispensam tratamento quando o diagnóstico é sustentado. Na gestação, atrasar tratamento aumenta risco de transmissão vertical.