Primigesta de 28 anos, com gestação de 39 semanas de feto único (risco habitual), procurou o Centro Obstétrico por terem iniciado as contrações há 4 horas. À admissão, negou perda líquida ou sangramento e referiu boa movimentação fetal. Ao exame, foram constatados sinais vitais estáveis. O exame obstétrico revelou altura uterina de 35 cm, 2 contrações irregulares a cada 10 minutos com duração de 20 segundos, batimentos cardiofetais de 140 bpm com acelerações transitórias e colo uterino de espessura média, 80% apagado e com dilatação de 2 cm.
Pegadinha central: estar no primeiro período não significa estar na fase ativa.
Fase ativa contemporânea: memorize 6 cm de dilatação.
Antes de 6 cm, evite diagnosticar parada de fase ativa ou intervir precocemente apenas pela lentidão.
BCF basal normal com acelerações é achado tranquilizador.
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Contexto
O primeiro período do parto vai do início do trabalho de parto até a dilatação cervical completa. Ele se divide em fase latente e fase ativa. A ACOG Clinical Practice Guideline de 2024 considera 6 cm de dilatação o início da fase ativa. Antes disso, a evolução cervical é mais lenta e variável, e critérios de distócia da fase ativa não devem ser aplicados.
Nesta primigesta há contrações, apagamento cervical de 80% e dilatação de 2 cm, portanto já existem modificações cervicais compatíveis com o primeiro período do parto em fase latente. As contrações ainda são irregulares, apenas duas em 10 minutos e com 20 segundos de duração, sem evidência de falha de progressão. Batimentos fetais de 140 bpm com acelerações transitórias são tranquilizadores.
Ocitocina não deve ser iniciada simplesmente porque a dinâmica ainda é pouco intensa em uma paciente com 2 cm. A fase latente apresenta ampla variabilidade e a maior parte das gestantes progride espontaneamente. Em gestação de risco habitual com ausculta fetal tranquilizadora, cardiotocografia contínua de rotina também não é obrigatória apenas por estar em trabalho de parto.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Contrações associadas a apagamento e dilatação cervical caracterizam o primeiro período do parto. Com apenas 2 cm, a paciente está na fase latente, e não na fase ativa.
B) Incorreta. A fase ativa não começa com 2 cm. Pela ACOG 2024, os critérios da fase ativa devem ser aplicados a partir de 6 cm de dilatação.
C) Incorreta. Não existe diagnóstico de distócia ou parada de progressão. Intensificar contrações com ocitocina nesta fase sem indicação expõe a paciente a taquissistolia e alterações fetais sem benefício demonstrado.
D) Incorreta. A avaliação fetal é necessária, mas cardiotocografia contínua não é obrigatória em toda gestante de risco habitual com ausculta tranquilizadora e sem fatores de risco adicionais. Monitorização intermitente pode ser adequada conforme protocolo institucional.