Complicações crônicas do diabetes

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Questão 21
HCPA · 2022

Nuligesta de 25 anos veio à consulta em busca de orientação para anticoncepção. Referiu ter diabetes melito tipo 1 desde os 13 anos e fazer uso de insulina lispro em bomba de insulina. Na última avaliação realizada por solicitação da endocrinologista, a hemoglobina glicada era de 6,5%, e a pesquisa de albuminúria, negativa. Exame de fundo de olho revelou retinopatia não proliferativa grave. Ao exame físico, apresentava pressão arterial de 120/80 mmHg, mamas simétricas, sem abaulamentos. À palpação da mama esquerda, foi constatado pequeno nódulo móvel de 2 x 2 cm na junção dos quadrantes inferiores; na mama direita, não havia alterações. O exame pélvico foi normal. Trouxe ultrassonografia mamária com imagem sugestiva de fibroadenoma na mama esquerda, BI-RADS 2.

Que método contraceptivo, dentre os abaixo, apresenta risco ou está contraindicado (categoria 3 ou 4 dos critérios de elegibilidade da OMS) para anticoncepção da paciente?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente tem diabetes tipo 1 com bom controle glicêmico, mas já apresenta retinopatia diabética não proliferativa grave, isto é, complicação microvascular. Esse detalhe é o que muda a elegibilidade contraceptiva. O fibroadenoma BI-RADS 2 é lesão benigna e não restringe os métodos propostos.

Os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS, 6ª edição de 2025, classificam o uso de contraceptivos hormonais combinados em pessoas com diabetes associado a nefropatia, retinopatia, neuropatia ou outra doença vascular como categoria 3 ou 4, conforme gravidade. Categoria 3 significa que, em geral, os riscos superam os benefícios; categoria 4 significa risco inaceitável. A preocupação é o componente estrogênico, que aumenta risco trombótico e cardiovascular em uma paciente que já possui lesão vascular relacionada ao diabetes.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O anticoncepcional oral combinado contém estrogênio e, diante de retinopatia diabética grave, enquadra-se em categoria 3 ou 4 da OMS. É o método entre as opções que apresenta restrição relevante ou contraindicação.

B) Incorreta. A pílula apenas com progestagênio não carrega o mesmo risco vascular relacionado ao estrogênio e costuma ser categoria 2 no diabetes com doença microvascular.

C) Incorreta. O DIU de cobre não contém hormônio e não aumenta o risco trombótico ou vascular relacionado ao diabetes. É categoria 1 para essa condição.

D) Incorreta. O implante de etonogestrel é método exclusivamente progestagênico e, em geral, permanece aceitável em pessoas com diabetes complicado, sendo categoria 2.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: não é o diabetes isolado que fecha a questão, mas a retinopatia grave, marcador de doença vascular.

  • Diabetes com retinopatia, nefropatia ou neuropatia restringe especialmente métodos com estrogênio.

  • Fibroadenoma BI-RADS 2 é benigno e não contraindica contracepção hormonal.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Complicações crônicas do diabetes” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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