Avaliação da vitalidade fetal

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Questão 35
HCPA · 2022
Assinale a assertiva correta sobre a avaliação do bem-estar fetal.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A avaliação do bem-estar fetal deve responder a uma pergunta clínica concreta. Doppler uterino estima resistência da circulação uteroplacentária e risco de complicações placentárias, mas uma alteração isolada em gestante normotensa não obriga internação. Doppler de artéria umbilical é especialmente útil na restrição de crescimento fetal por insuficiência placentária, e não como exame frequente universal em diabetes gestacional com crescimento adequado.

Na restrição de crescimento, vasodilatação da artéria cerebral média representa redistribuição do débito fetal, o chamado efeito de centralização. É marcador de adaptação à hipoxemia, mas não determina sozinho interrupção obrigatória em 48 horas com 29 semanas. A decisão depende da idade gestacional, Doppler de artéria umbilical e ducto venoso, cardiotocografia, crescimento e condição materna.

No trauma materno, uma gestação viável deve receber monitorização fetal e uterina após a estabilização da mãe. Protocolos contemporâneos recomendam pelo menos algumas horas de monitorização e prolongamento para 24 horas quando há fatores de maior risco, como trauma abdominal relevante, dor ou sensibilidade uterina, sangramento, contrações persistentes, ruptura de membranas ou traçado fetal anormal. Nesta paciente com 34 semanas e sinais de contusão abdominal após acidente automobilístico, a observação por 24 horas é a opção mais segura entre as apresentadas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Doppler uterino alterado aos 23 semanas aumenta risco de doença placentária, mas, isoladamente em gestante normotensa e assintomática, não impõe internação nem perfil biofísico fetal imediato.

B) Incorreta. Diabetes gestacional com feto no percentil 80 e sem evidência de insuficiência placentária não exige Doppler umbilical frequente apenas para prevenir acidose. A vigilância deve ser ajustada ao controle glicêmico, uso de medicação, crescimento e demais fatores.

C) Incorreta. Centralização cerebral aos 29 semanas exige vigilância intensiva e pode justificar corticosteroide se houver risco de parto, mas não determina interrupção automática após 48 horas. Em prematuros extremos, prolongar a gestação com vigilância adequada pode trazer grande benefício.

D) Correta (gabarito). Acidente automobilístico com contusão abdominal em gestação de 34 semanas traz risco de descolamento prematuro de placenta mesmo sem sangramento inicial. A monitorização materno-fetal prolongada por 24 horas é apropriada neste contexto de trauma abdominal.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: trauma obstétrico pode causar DPP sem sangramento vaginal.

  • Trauma em feto viável exige monitorização; fatores de risco fazem a observação se estender para 24 horas.

  • Centralização cerebral é sinal de redistribuição fetal, mas não é comando automático de parto imediato em 29 semanas.

  • Doppler umbilical é especialmente valioso na restrição de crescimento por insuficiência placentária.

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Bia
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