A pegadinha central é o perfil: PAIR = neurossensorial, bilateral, irreversível e não progressiva após cessar a exposição nociva.
Zumbido e intolerância a sons intensos são sintomas associados clássicos.
A prevenção é a principal estratégia, com controle do ruído e proteção adequada, porque a perda coclear instalada não é revertida.
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Contexto
A perda auditiva induzida por ruído, PAIR, decorre de exposição repetida a níveis elevados de ruído e lesão progressiva das células ciliadas da cóclea. O Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde descreve a PAIR como perda neurossensorial, geralmente bilateral, irreversível e relacionada ao tempo de exposição. O padrão audiométrico clássico começa nas frequências altas, frequentemente com entalhe entre 3 e 6 kHz, antes de comprometer faixas importantes para a compreensão da fala.
O termo irreversível significa que as células sensoriais destruídas não se regeneram. Isso não significa que a perda continue piorando indefinidamente depois que a exposição ocupacional ao ruído é interrompida. Cessado o agente, a progressão atribuível especificamente ao ruído tende a cessar; perda posterior exige considerar envelhecimento, novas exposições, ototoxicidade e outras doenças.
Além da redução da audição, são frequentes zumbido e intolerância a sons intensos, podendo haver dificuldade de discriminação da fala e comunicação em ambientes ruidosos. Prevenção é central porque não existe terapia capaz de restaurar a perda coclear estabelecida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. PAIR é perda neurossensorial por dano coclear. Perda de condução implica alteração em orelha externa ou média, como cerume, perfuração timpânica ou doença ossicular, e não caracteriza PAIR.
B) Incorreta. A irreversibilidade está correta, mas a lateralidade está errada. A exposição ocupacional costuma atingir ambos os ouvidos, produzindo perda bilateral e relativamente simétrica, embora assimetrias possam ocorrer conforme a exposição.
C) Incorreta. A progressão depende da continuidade da exposição ao ruído. Depois de cessada a exposição nociva, a PAIR não deve continuar progredindo pelo mesmo mecanismo ocupacional. Se a audição segue piorando, outras causas precisam ser investigadas.
D) Correta (gabarito). Zumbido é queixa frequente e a intolerância a sons intensos também pode ocorrer, refletindo alteração da percepção sonora decorrente da lesão coclear.