Paciente de 25 anos buscou atendimento em razão de ataques súbitos de palpitação, sudorese, tremor, sensação de falta de ar, dor torácica, tonturas e medo de morrer. Procurara a Emergência algumas vezes, mas, ao ser avaliada, informavam-lhe não haver qualquer alteração nos exames realizados. Negou uso de substâncias aditivas. Referiu que, desde que passou a apresentar os ataques, tinha receio de sair de casa e ficava constantemente preocupada com a possibilidade de eles tornarem a ocorrer.
A pegadinha central é diferenciar ataque de pânico de transtorno do pânico: o transtorno exige recorrência mais preocupação ou mudança comportamental persistente por pelo menos 1 mês.
Primeira linha: TCC e antidepressivos, sobretudo ISRS; venlafaxina também é opção efetiva.
Benzodiazepínico pode aliviar rápido, mas não deve ser transformado em tratamento crônico de rotina.
Evitar sair de casa por medo de ter nova crise sugere agorafobia associada.
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Contexto
Os episódios descritos são ataques de pânico: início súbito de intensa ansiedade acompanhado de palpitação, sudorese, tremor, dispneia, dor torácica, tontura e medo de morrer. Para transtorno do pânico, não basta um episódio isolado. Após ataques recorrentes e inesperados, deve existir por pelo menos 1 mês preocupação persistente com novos ataques ou mudança comportamental maladaptativa relacionada a eles. A paciente cumpre essa lógica porque passou a viver preocupada com recorrência e evita sair de casa, podendo haver agorafobia associada.
O tratamento de primeira linha combina psicoterapia baseada em evidências, especialmente terapia cognitivo-comportamental, e antidepressivos quando farmacoterapia é indicada. ISRS são a classe mais utilizada. Venlafaxina, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina, também tem eficácia no transtorno do pânico. A diretriz NICE CG113, atualizada em 2020, recomenda TCC e antidepressivos apropriados e desencoraja benzodiazepínicos como estratégia de longo prazo.
Benzodiazepínicos podem aliviar rapidamente a crise ou ser usados de forma breve em situações selecionadas, mas uso contínuo prolongado traz tolerância, dependência, prejuízo cognitivo e sintomas de retirada. O transtorno é mais frequente em mulheres do que em homens, e a resposta a tratamentos de primeira linha é clinicamente significativa em grande parte dos pacientes, portanto a ideia de 70% de não resposta está incorreta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). ISRS, venlafaxina e terapia cognitivo-comportamental são opções estabelecidas de primeira linha. A TCC trabalha interpretação catastrófica dos sintomas, exposição às sensações temidas e redução de comportamentos de esquiva.
B) Incorreta. Benzodiazepínico contínuo por longo prazo não é tratamento de primeira linha por risco de tolerância, dependência e dificuldade de retirada. Pode ter papel breve e selecionado, mas não como estratégia crônica preferencial.
C) Incorreta. A epidemiologia está invertida. O transtorno do pânico é mais comum em mulheres do que em homens, aproximadamente na ordem de duas mulheres para cada homem em muitos estudos populacionais.
D) Incorreta. Não é correto afirmar que cerca de 70% não respondem à primeira linha. TCC e antidepressivos apresentam eficácia bem estabelecida, embora parte dos pacientes precise de ajuste de dose, troca ou combinação terapêutica.