Paciente de 56 anos, com neoplasia maligna do trato gastrointestinal, veio à consulta ambulatorial para programar procedimento cirúrgico e queixou-se de perda de 10% do peso corporal em 6 meses e ingestão alimentar em torno de 75% da habitual nas últimas semanas. Seu IMC era de 17 kg/m2.
Pegadinha central: em cirurgia oncológica eletiva, desnutrição grave pode justificar adiar o procedimento para nutrir o paciente.
ESPEN 2025: considerar 10 a 14 dias de terapia nutricional pré-operatória em desnutrição grave ou alto risco metabólico.
Oral primeiro, enteral se necessário; parenteral apenas quando oral ou enteral não conseguem suprir as necessidades.
IMC menor que 18,5 kg/m2 e perda ponderal relevante em 6 meses são sinais de alto risco.
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Contexto
O paciente apresenta alto risco nutricional e desnutrição relevante no pré-operatório: IMC de 17 kg/m2, perda de 10% do peso em 6 meses, redução recente da ingestão e câncer gastrointestinal. Esses fatores aumentam complicações infecciosas, deiscência, tempo de internação e mortalidade após cirurgia de grande porte.
A ESPEN Guideline on Clinical Nutrition in Surgery, atualização de 2025, recomenda terapia nutricional pré-operatória para pacientes com desnutrição grave ou alto risco metabólico, mesmo que seja necessário postergar uma cirurgia eletiva. A diretriz atual sugere considerar 10 a 14 dias de terapia; estudos que demonstraram benefício utilizaram pelo menos cerca de 7 a 10 dias. A própria ESPEN considera alto risco, entre outros critérios, IMC menor que 18,5 kg/m2 ou perda ponderal maior que 10 a 15% em 6 meses.
A via gastrointestinal deve ser preservada sempre que possível. Assim, alimentação oral enriquecida e suplementos nutricionais orais são preferidos; nutrição enteral é acrescentada se a ingestão oral for insuficiente. Nutrição parenteral pré-operatória fica reservada principalmente para pacientes desnutridos nos quais a necessidade energética não consegue ser atendida adequadamente por via oral ou enteral.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Operar imediatamente ignora um fator de risco modificável importante. Como a cirurgia é programável e o paciente apresenta desnutrição grave, existe benefício em realizar otimização nutricional pré-operatória.
B) Correta (gabarito). É a alternativa que combina postergação curta da cirurgia com terapia nutricional pela via fisiológica. Há uma atualização importante: a ESPEN 2025 passou a recomendar considerar preferencialmente 10 a 14 dias, mantendo pelo menos cerca de 7 dias como período mínimo útil. Portanto, o limite de 5 dias da alternativa é mais curto que o ideal atual, mas o intervalo oferecido inclui a duração contemporaneamente recomendada.
C) Incorreta. Nutrição parenteral não é primeira escolha quando o trato gastrointestinal pode ser utilizado. Ela acrescenta riscos relacionados a acesso venoso, infecção e complicações metabólicas e deve ser reservada para impossibilidade de suprir adequadamente as necessidades por via oral ou enteral.
D) Incorreta. Três dias são insuficientes para a estratégia de pré-habilitação nutricional recomendada em desnutrição grave. O objetivo não é apenas fornecer calorias imediatamente antes do procedimento, mas reduzir o impacto metabólico e as complicações perioperatórias.