A pegadinha central é não confundir recorrência com indicação automática de transplante fecal.
Fator de risco de maior rendimento: antibiótico recente. Idade avançada, hospitalização e PPI também aparecem com frequência nas provas.
Megacólon tóxico: pense em cólon acima de 6 cm mais toxicidade sistêmica, não apenas em uma medida radiológica isolada.
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Contexto
A infecção por Clostridioides difficile ocorre após ruptura da microbiota intestinal, geralmente por antibióticos, permitindo proliferação do organismo e ação das toxinas. O quadro típico é diarreia aquosa, dor abdominal e leucocitose; sangue visível nas fezes não é manifestação predominante. Exposição recente a antibióticos é o principal fator modificável, e idade avançada, internação, comorbidades e uso de inibidor da bomba de prótons aparecem associados a maior risco.
A diretriz IDSA/SHEA de 2021 reconhece idade avançada como fator importante e descreve associação entre inibidores da bomba de prótons e infecção ou recorrência, embora a relação causal com o PPI seja menos sólida do que a relação com antibióticos. O megacólon tóxico exige dilatação colônica importante, classicamente mais de 6 cm, somada a toxicidade sistêmica; não basta um cólon com mais de 5 cm.
Quanto às recorrências, o tratamento mudou. A IDSA/SHEA de 2021 favorece fidaxomicina para recorrência quando disponível, e transplante de microbiota fecal é opção sobretudo após múltiplas recorrências. Diretrizes mais recentes de gastroenterologia ampliaram o papel de terapias baseadas em microbiota em casos recorrentes, mas isso não torna transplante fecal a primeira opção universal para toda primeira recorrência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A apresentação clássica é diarreia aquosa. Hematoquezia pode ocorrer em colite grave, mas não é frequente, e melena é ainda menos característica porque sugere sangramento digestivo alto.
B) Correta (gabarito). Idade acima de 65 anos é um dos fatores de risco mais consistentes para infecção e pior evolução. O uso de inibidores da bomba de prótons também está associado a maior risco em estudos observacionais, embora antibióticos continuem sendo o fator modificável mais importante.
C) Incorreta. A referência clássica para megacólon tóxico é dilatação colônica acima de 6 cm associada a sinais de toxicidade sistêmica. O valor de 5 cm isoladamente é insuficiente para definir o quadro.
D) Incorreta. Transplante de microbiota fecal tem papel forte em recorrências repetidas ou em situações selecionadas, mas não é automaticamente a primeira opção para todo primeiro episódio recorrente. Fidaxomicina ou esquemas apropriados de vancomicina continuam ocupando lugar central conforme o contexto.