Lactente de 2 meses vinha apresentando tosse e febrícula há 7 dias. A mãe não realizou pré-natal, o parto foi vaginal, a idade gestacional por Capurro foi de 39 semanas e o peso ao nascimento de 3.400 g. Houve registro de disúria no terceiro trimestre da gestação, única intercorrência no período. A família não tinha comorbidades conhecidas. Ao exame, a criança encontrava-se taquipneica, sem retrações, com raros sibilos à ausculta pulmonar e temperatura axilar de 37,5o C. A tosse era em staccato. A saturação de oxigênio era de 95%. O hemograma indicou hemoglobina de 10,5 g/dl e leucócitos de 12.000/mm3 (10% de eosinófilos), sem outras alterações. O raio X de tórax evidenciou opacidades bilaterais, principalmente na região mais central dos pulmões, e leve aprisionamento de ar.
Pegadinha central: lactente de 1 a 3 meses mais tosse em staccato mais eosinofilia é clamídia até prova em contrário.
Radiografia clássica: hiperinsuflação e infiltrados bilaterais difusos.
CDC: eritromicina por 14 dias é o regime recomendado; azitromicina 20 mg/kg/dia por 3 dias é alternativa.
Ao diagnosticar clamídia no lactente, a mãe e suas parcerias também precisam de avaliação e tratamento apropriados.
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Contexto
O lactente de 2 meses apresenta a síndrome clássica de pneumonia afebril do lactente por Chlamydia trachomatis. A infecção é adquirida durante o parto a partir do trato genital materno e costuma manifestar-se entre 1 e 3 meses de vida. O conjunto que discrimina o diagnóstico é tosse repetitiva em staccato, taquipneia, pouca ou nenhuma febre, eosinofilia periférica e radiografia com hiperinsuflação e infiltrados bilaterais difusos.
O CDC STI Treatment Guidelines de 2021, ainda utilizado como referência oficial para esse tema, descreve exatamente esse padrão. A eosinofilia é frequente quando há pelo menos 400 eosinófilos/mm3; neste hemograma, 10% de 12.000 leucócitos corresponde a aproximadamente 1.200 eosinófilos/mm3, reforçando muito a hipótese.
Há uma nuance terapêutica importante. O CDC considera eritromicina por 14 dias o regime recomendado e azitromicina 20 mg/kg por via oral uma vez ao dia por 3 dias uma alternativa. Portanto, a alternativa C permanece correta porque é a única que une o diagnóstico certo a um macrolídeo eficaz, embora a azitromicina seja classificada como esquema alternativo nessa referência. Macrolídeos em lactentes pequenos exigem atenção ao risco de estenose hipertrófica do piloro, especialmente nas primeiras semanas de vida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Bronquiolite por VSR pode causar taquipneia, sibilância e hiperinsuflação, mas tosse em staccato com eosinofilia e pouca febre é muito mais característica de clamídia. Além disso, palivizumabe é imunoprofilaxia para grupos selecionados, não tratamento de bronquiolite já instalada.
B) Incorreta. Pneumonia pneumocócica tende a produzir doença mais aguda, febre e consolidação focal. Não explica bem o padrão subagudo, a tosse em staccato e a eosinofilia.
C) Correta (gabarito). Idade de 2 meses, tosse em staccato, eosinofilia de aproximadamente 1.200/mm3, taquipneia, hiperinsuflação e opacidades bilaterais formam o quadro típico de pneumonia por Chlamydia trachomatis. Azitromicina é uma opção terapêutica aceita.
D) Incorreta. SARS-CoV-2 pode causar pneumonia em crianças, mas o fenótipo apresentado é clássico de clamídia. Dexametasona não é indicada de rotina para criança com covid-19 sem hipoxemia ou necessidade de oxigênio suplementar.