Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica moderada (GOLD 2), que vinha recebendo tratamento contínuo com formoterol inalatório, permanecia com dispneia aos pequenos esforços, mas sem exacerbações da doença nos últimos 12 meses.
A pegadinha central é identificar o alvo: dispneia sem exacerbação pede mais broncodilatação, não ICS.
GOLD 2026: sintomático em broncodilatador de longa ação pode escalar para LABA mais LAMA.
ICS é guiado principalmente por risco de exacerbação e marcadores de resposta, como eosinófilos, e não pelo VEF1 isoladamente.
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Contexto
O paciente tem DPOC com dispneia persistente apesar de um broncodilatador de longa ação, o formoterol, mas não apresenta exacerbações. O objetivo do escalonamento, portanto, é melhorar sintomas, e não prevenir exacerbações com corticosteroide. A estratégia do GOLD 2026 para seguimento separa esses dois alvos terapêuticos: dispneia persistente e exacerbações recorrentes.
Quando há dispneia ou limitação ao exercício apesar de monoterapia com broncodilatador de longa ação, a conduta farmacológica é associar um broncodilatador da outra classe, formando LABA mais LAMA. Neste caso, mantém-se o beta2-agonista de longa ação e acrescenta-se um antagonista muscarínico de longa ação. Antes e depois do escalonamento também devem ser checados adesão, técnica inalatória, dispositivo, atividade física, reabilitação pulmonar e outras causas de dispneia.
Corticosteroide inalatório não é escalonamento de rotina para dispneia isolada na DPOC. Seu papel é principalmente reduzir exacerbações em pacientes selecionados, com maior probabilidade de benefício quando há eosinofilia e histórico de exacerbações. O grau espirométrico GOLD 2 descreve obstrução moderada, mas não determina sozinho a escolha farmacológica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O paciente continua sintomático apesar do formoterol. Apenas aguardar mais 3 meses sem corrigir técnica, investigar causas de dispneia ou intensificar broncodilatação não é o escalonamento indicado.
B) Correta (gabarito). Acrescentar um LAMA ao LABA produz dupla broncodilatação de longa ação, estratégia recomendada para dispneia persistente durante monoterapia broncodilatadora.
C) Incorreta. Um beta2-agonista de curta ação pode ser mantido como medicação de resgate, mas adicioná-lo apenas quando houver dispneia não resolve adequadamente sintomas persistentes durante tratamento contínuo. O escalonamento controlador é LABA mais LAMA.
D) Incorreta. Corticosteroide inalatório não é indicado apenas porque há dispneia. Ele ganha importância em prevenção de exacerbações em pacientes selecionados, sobretudo conforme histórico de exacerbação e eosinófilos sanguíneos.