Comunicação e relação médico-paciente

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 92
HCPA · 2022
Assinale a assertiva correta sobre o ambiente de atendimento médico por meio de uma ligação telefônica.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Atendimento médico por telefone é uma forma de cuidado remoto e exige os mesmos fundamentos éticos do atendimento presencial: identificação adequada, confidencialidade, registro das informações relevantes, avaliação da segurança do ambiente e reconhecimento dos limites do método. A Resolução CFM nº 2.314/2022, que regulamenta a telemedicina, preserva a autonomia do médico para indicar atendimento presencial quando o exame físico ou a condição clínica o exigirem.

A comunicação telefônica fornece dados clínicos além das palavras escolhidas pelo paciente. Dispneia audível, fala entrecortada, confusão, sonolência, dificuldade de responder, pausas anormais, ruídos de queda ou conflito e incapacidade de manter uma conversa podem revelar gravidade mesmo quando o paciente não reconhece ou não relata espontaneamente um sinal de alarme. Esse é o ponto que fecha a alternativa B.

Privacidade também precisa ser ativa. Se o profissional percebe terceiros ouvindo a consulta, ambiente coercitivo ou ruído que impeça comunicação segura, pode interromper, reorganizar ou converter o atendimento para preservar confidencialidade e segurança. Criptografia de ponta a ponta protege a transmissão entre dispositivos, mas não garante que fotografias, laudos ou mensagens permaneçam protegidos depois de armazenados no telefone, que pode ser perdido, invadido, compartilhado ou ter cópias automáticas em nuvem.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ruídos ambientais podem revelar perda de privacidade, risco à segurança ou impossibilidade de avaliação adequada. Nessas situações, interromper ou reorganizar a consulta pode ser justamente a conduta ética necessária.

B) Correta (gabarito). Sinais percebidos durante a ligação podem indicar urgência sem que o paciente verbalize uma queixa de alarme. Fala entrecortada, alteração do estado mental ou dificuldade respiratória audível podem justificar orientação para avaliação presencial imediata.

C) Incorreta. O sigilo é a regra, e resultado de infecção sexualmente transmissível não deve ser revelado indiscriminadamente a terceiros. O erro está em dizer em hipótese alguma: o Código de Ética Médica admite revelação por motivo justo, dever legal ou consentimento escrito do paciente, e a própria pessoa pode autorizar que determinado terceiro participe da comunicação.

D) Incorreta. Criptografia protege o trajeto da informação entre remetente e destinatário, mas não transforma qualquer celular em repositório seguro de dados clínicos. Armazenamento exige controle de acesso, proteção contra cópias indevidas, rastreabilidade e observância das normas de prontuário e proteção de dados.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é lembrar que no telefone o médico também examina pela comunicação: voz, padrão respiratório e coerência podem revelar gravidade.

  • Teleatendimento não elimina a obrigação de converter para avaliação presencial quando o método remoto é insuficiente ou inseguro.

  • Criptografia da mensagem não equivale a segurança do armazenamento no dispositivo.

  • Sigilo é regra, mas não é absoluto diante de consentimento válido, dever legal ou motivo justo.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Comunicação e relação médico-paciente” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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