Primigesta com 10 semanas de gestação trouxe à consulta resultados de exames sorológicos para toxoplasmose realizados há 1 semana, evidenciando IgG não reagente e IgM reagente.
Pegadinha central: IgM positivo e IgG negativo pode ser infecção muito recente ou falso-positivo.
Conduta atual do MS: espiramicina imediata e repetir IgG/IgM em 2 a 3 semanas.
Avidez só faz sentido se IgG estiver positivo.
PCR no líquido amniótico: após 18 semanas e pelo menos 4 semanas depois da provável infecção materna.
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Contexto
IgM reagente com IgG não reagente para toxoplasmose no primeiro trimestre tem duas explicações principais: infecção materna muito recente, ainda antes da soroconversão de IgG, ou IgM falso-positivo. Como a infecção aguda verdadeira no início da gestação pode transmitir o parasito ao feto e causar doença grave, não se deve simplesmente aguardar sem proteção.
A Diretriz Nacional do Ministério da Saúde para toxoplasmose gestacional, disponibilizada em 2022, orienta nesse padrão sorológico iniciar espiramicina imediatamente e repetir IgG e IgM em 2 a 3 semanas. Se ocorrer soroconversão e ambos se tornarem positivos, confirma-se infecção aguda. Se o IgG continuar negativo, o IgM inicial é interpretado como falso-positivo e a espiramicina é suspensa.
Há uma imprecisão na alternativa A: teste de avidez de IgG não pode ser interpretado quando o IgG está não reagente. O Ministério da Saúde orienta avidez quando IgG e IgM são reagentes, preferencialmente em amostra coletada até 16 semanas. Assim, o gabarito é mantido porque A contém as duas condutas decisivas, iniciar espiramicina e repetir sorologia, mas a solicitação imediata de avidez com IgG negativo não corresponde ao fluxo atual.
Investigação fetal por PCR no líquido amniótico, quando indicada, deve ser realizada após 18 semanas de gestação e pelo menos 4 semanas após a provável infecção materna. Não se faz amniocentese imediata com 10 semanas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A parte central está correta: iniciar espiramicina e repetir IgG e IgM para documentar ou excluir soroconversão. A ressalva atual é que avidez só é útil se houver IgG reagente; com IgG negativo, não existe anticorpo IgG para cuja afinidade se possa medir.
B) Incorreta. Sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico não são o esquema inicial diante de IgM isolado às 10 semanas. Pirimetamina é evitada no primeiro trimestre e ainda não existe confirmação de infecção materna aguda ou fetal.
C) Incorreta. Dosagens de IgA e IgE e cordocentese não constituem a estratégia inicial. A investigação fetal preferencial, quando indicada, é PCR do líquido amniótico no momento gestacional apropriado.
D) Incorreta. Além de avidez não ser interpretável com IgG negativo, amniocentese com 10 semanas é precoce. A PCR em líquido amniótico deve aguardar pelo menos 18 semanas e 4 semanas após a provável infecção.