Recém-nascido com 39 semanas de idade gestacional (parto vaginal), com escore de Apgar 9 no quinto minuto, apresentou taquipneia com 6 horas de vida. A mãe tinha diagnóstico de infecção urinária. O hemograma da criança evidenciou leucocitose, a dosagem de proteína C reativa foi de 1 mg/l e a hemocultura ainda se encontrava em análise.
Pegadinha central: leucocitose neonatal isolada não diagnostica sepse.
Hemocultura é o exame microbiológico central; hemograma e PCR auxiliam, mas não devem comandar a decisão isoladamente.
Quando houver indicação de tratamento empírico de sepse precoce, memorize ampicilina mais gentamicina.
Observação só é segura com exame clínico seriado; piora respiratória ou sistêmica muda a conduta rapidamente.
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Contexto
Sepse neonatal precoce é uma condição grave, mas o uso indiscriminado de antibióticos em recém-nascidos a termo também produz danos. A avaliação contemporânea integra fatores maternos, idade gestacional, condição clínica seriada e hemocultura. Hemograma e proteína C reativa isolados têm baixo desempenho para decidir tratamento, especialmente nas primeiras horas de vida.
Neste caso, o recém-nascido tem 39 semanas, boa vitalidade ao nascer e taquipneia isolada às 6 horas. A mãe teve infecção urinária, mas não são descritos corioamnionite, febre intraparto, rotura prolongada de membranas ou instabilidade do neonato. A PCR é baixa e a leucocitose neonatal isolada não confirma infecção. Segundo a lógica da questão, esses elementos permitem observação clínica seriada enquanto a hemocultura é processada.
Existe uma ressalva importante: se a taquipneia for persistente, progressiva ou acompanhada de necessidade de oxigênio, má perfusão, alteração térmica, apneia ou outra evidência de doença sistêmica, o limiar para antibioticoterapia deve ser baixo. Quando tratamento empírico de sepse neonatal precoce é indicado, o esquema clássico é ampicilina associada a gentamicina, após coleta de hemocultura. Portanto, a alternativa D descreve o esquema correto para uma suspeita suficientemente forte, mas o gabarito entende que esse limiar ainda não foi atingido no cenário apresentado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Na interpretação proposta pela questão, a criança está clinicamente estável e os dados laboratoriais não sustentam sepse por si sós. A conduta é vigilância clínica estreita e acompanhamento da hemocultura, iniciando antibiótico imediatamente se surgirem sinais de doença ou aumento da probabilidade de infecção.
B) Incorreta. Penicilina procaína intramuscular não é o esquema empírico recomendado para sepse neonatal precoce e não oferece a cobertura adequada para os principais agentes.
C) Incorreta. Vancomicina não é primeira escolha na sepse neonatal precoce adquirida verticalmente e a via intramuscular proposta é inadequada para um neonato potencialmente séptico. Vancomicina é mais associada a cenários de infecção hospitalar tardia e resistência específica.
D) Incorreta. Ampicilina mais gentamicina é o esquema empírico clássico quando existe indicação de tratar sepse neonatal precoce, cobrindo Streptococcus do grupo B, Listeria e gram-negativos como Escherichia coli. O erro, segundo o gabarito, é iniciar imediatamente esse tratamento em um recém-nascido que ainda pode ser acompanhado clinicamente. Se houver deterioração ou sinais persistentes relevantes, esta estratégia passa a ser a apropriada.