Cirurgia bariátrica

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Questão 53
HCPA · 2022

Os quatro pacientes caracterizados abaixo relatam problemas com excesso de peso, com múltiplas tentativas de perda de peso nos últimos 2 anos, sem sucesso.

Qual deles não se enquadra nos critérios de indicação para cirurgia bariátrica?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Esta questão foi construída sobre os critérios clássicos de indicação de cirurgia bariátrica usados no Brasil durante muitos anos: IMC igual ou maior que 40 kg/m2 independentemente de comorbidades, ou IMC igual ou maior que 35 kg/m2 associado a comorbidades relacionadas à obesidade, após falha do tratamento clínico. Pela regra histórica cobrada, um paciente com IMC de 33 kg/m2 ficaria fora da indicação habitual.

Há, porém, uma atualização importante para provas atuais. A Resolução CFM nº 2.429/2025 ampliou a possibilidade de cirurgia para pessoas com IMC entre 30 e 35 kg/m2, desde que preencham condições específicas, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave com lesão de órgão-alvo, apneia obstrutiva do sono grave, doença hepática gordurosa com fibrose, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica ou osteoartrose grave, entre outras situações previstas. Além disso, as recomendações ASMBS/IFSO de 2022 são ainda mais amplas e admitem considerar cirurgia metabólica e bariátrica no IMC de 30 a 34,9 kg/m2 quando não há perda ponderal ou melhora clínica durável com métodos não cirúrgicos.

Portanto, o gabarito D deve ser mantido porque expressa o critério adotado pela prova. Mesmo pela norma brasileira atual, o caso D não informa que a osteoartrose seja grave, que o refluxo tenha indicação cirúrgica ou que a doença hepática apresente fibrose, requisitos que seriam decisivos para enquadrar um IMC de 33 kg/m2. Esse é um exemplo clássico de questão em que a referência normativa mudou após a elaboração da prova.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. IMC de 42 kg/m2, por si só, satisfaz o critério clássico para cirurgia bariátrica, mesmo na ausência de comorbidades.

B) Incorreta. IMC de 37 kg/m2 associado a hipertensão arterial de difícil controle preenche a combinação clássica de IMC entre 35 e 39,9 com comorbidade clinicamente relevante.

C) Incorreta. Pelo referencial da época da questão, IMC de 36 kg/m2 associado a estigmatização social e depressão relacionadas à obesidade podia compor a indicação, pois essas repercussões constavam entre as condições reconhecidas na regulamentação brasileira anterior. O ponto é que ela já ultrapassa o limiar de 35 kg/m2.

D) Correta (gabarito). No modelo clássico cobrado, IMC de 33 kg/m2 estava abaixo do limiar cirúrgico, ainda que houvesse comorbidades. Pela regra brasileira atual, ele só passaria a ser elegível se alguma condição cumprisse os qualificadores exigidos, como osteoartrose grave, refluxo com indicação cirúrgica ou doença hepática gordurosa com fibrose, dados que o enunciado não fornece.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é temporal: o gabarito usa o critério clássico, mas o CFM ampliou as indicações em 2025.

  • Para questões antigas, memorize 40 sem comorbidade e 35 com comorbidade; para questões atuais, lembre que IMC de 30 a 35 pode entrar em cenários específicos.

  • Não basta ler o nome da comorbidade no IMC de 30 a 35: a Resolução CFM 2.429/2025 exige qualificadores em algumas delas, como osteoartrose grave e refluxo com indicação cirúrgica.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cirurgia bariátrica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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