Paciente de 55 anos retornou à UBS com os resultados dos exames solicitados na consulta anterior. O teste para HIV foi positivo. Encontrava-se assintomática, apresentava contagem de leucócitos normal, não havia perdido peso e não se sentia doente. Acerca das orientações iniciais fornecidas na UBS sobre a terapia antirretroviral (TARV) e sobre a disponibilidade de cuidado integral às pessoas que vivem com HIV, considere as assertivas abaixo.
I- Instituição precoce da TARV reduz o risco de tuberculose, a principal causa de mortalidade por HIV.
II - A vacinação contra pneumococo (vacina 23-valente) está indicada em esquema de 2 doses com intervalo de 5 anos, independentemente da idade.
III - Mesmo em situações de alto risco, tais como coinfecção por HCV e HBV, e em pacientes com sintomas de AIDS, a TARV não deve ser iniciada sem a contagem de CD4.
A pegadinha central é TARV não depende de CD4 para ser indicada. O CD4 modifica profilaxias e investigação, não o direito ao tratamento.
TARV reduz o risco de tuberculose, e TB continua sendo causa importante de morte entre pessoas vivendo com HIV.
Gabarito histórico: I + II. Atualização 2026: VPC20 entrou no SUS para pessoas com condições clínicas especiais, incluindo HIV/aids, substituindo esquemas pneumocócicos anteriores.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A terapia antirretroviral deve ser oferecida a toda pessoa com diagnóstico de HIV, independentemente de sintomas ou contagem de linfócitos T-CD4. O PCDT para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Ministério da Saúde mantém a estratégia de tratamento para todos. Não se deve aguardar o CD4 para decidir se a pessoa merece TARV; a contagem é usada para estadiamento, avaliação imunológica e definição de profilaxias e investigação de infecções oportunistas.
A assertiva I permanece conceitualmente correta. TARV eficaz restaura imunidade, reduz progressão da infecção e diminui a incidência de tuberculose em pessoas vivendo com HIV. A OMS continua apontando a tuberculose como principal causa infecciosa de morte entre pessoas com HIV, o que torna a prevenção e o diagnóstico precoce de TB parte central do cuidado.
A assertiva II exige atualização histórica. Na referência utilizada pela prova, pessoas vivendo com HIV recebiam esquema pneumocócico que incluía vacina polissacarídica 23-valente e revacinação após 5 anos, razão pela qual a banca considerou a afirmação correta. Em 2026, o Programa Nacional de Imunizações incorporou a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, VPC20, para condições clínicas especiais, incluindo HIV/aids, simplificando e substituindo esquemas anteriores baseados em VPC13 associada a duas doses de VPP23. Portanto, o gabarito C deve ser mantido como resposta histórica da prova, mas a assertiva II não deve ser usada isoladamente como orientação vacinal atual.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A assertiva I está correta, mas, na referência vigente à época da questão, a assertiva II também era considerada correta. Por isso, apenas I não corresponde ao gabarito da prova.
B) Incorreta. A assertiva I também é verdadeira: iniciar TARV precocemente reduz morbimortalidade e diminui o risco de tuberculose. Logo, não se pode selecionar apenas II.
C) Correta (gabarito). I é correta e II correspondia ao esquema pneumocócico cobrado na época da prova. A atualização de 2026 é importante: a VPC20 foi incorporada para pessoas vivendo com HIV e substitui os antigos esquemas pneumocócicos combinados em muitas situações.
D) Incorreta. A assertiva III é falsa. TARV é indicada independentemente da contagem de CD4 e não deve ser adiada simplesmente porque esse resultado ainda não está disponível. Existem exceções em que o momento da TARV é modificado por infecções oportunistas específicas, sobretudo algumas infecções do sistema nervoso central, mas isso é diferente de aguardar CD4 para decidir tratar.