A pegadinha é lembrar a antiga angiografia: na isquemia mesentérica aguda, o exame inicial atual é angiotomografia.
Dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico deve acender o alerta e acelerar a angiotomografia, não aguardar deterioração clínica.
A angiotomografia é valiosa porque identifica tanto a causa vascular quanto sinais de intestino inviável, o que muda imediatamente a estratégia terapêutica.
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Contexto
A isquemia mesentérica aguda é uma emergência vascular em que atraso diagnóstico aumenta rapidamente o risco de necrose intestinal e morte. O exame deve responder, em poucos minutos, duas perguntas: há oclusão ou alteração do fluxo mesentérico? e o intestino já apresenta sinais de sofrimento ou necrose?
As diretrizes atualizadas da World Society of Emergency Surgery de 2022 recomendam angiotomografia de abdômen sem demora diante da suspeita de isquemia mesentérica aguda. A angiotomografia multidetectores substituiu a angiografia convencional como principal método diagnóstico porque avalia, em um único exame, artérias e veias mesentéricas, perfusão da parede intestinal, pneumatoses, gás portal, líquido livre, perfuração e outros sinais de isquemia irreversível. O protocolo ideal inclui fases arterial e venosa.
Outro ponto de prova é que uma creatinina elevada não deve levar à postergação injustificada da angiotomografia quando a suspeita é forte. O dano de perder uma isquemia mesentérica supera, em geral, o risco associado ao contraste iodado. A arteriografia passou a ter papel mais seletivo, principalmente quando faz parte de uma estratégia endovascular diagnóstica e terapêutica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A ressonância pode demonstrar vasos e alças, mas é mais demorada, menos disponível em emergência e mais suscetível a limitações práticas em pacientes instáveis. Não é o método de primeira escolha na suspeita aguda.
B) Correta (gabarito). A angiotomografia abdominal é rápida, amplamente disponível e mostra simultaneamente a anatomia vascular e as consequências intestinais da hipoperfusão. É o exame de escolha recomendado na abordagem inicial.
C) Incorreta. A arteriografia já foi considerada padrão diagnóstico, mas foi substituída pela angiotomografia como primeira investigação. Hoje é reservada a situações selecionadas, sobretudo quando se planeja trombólise, trombectomia, angioplastia ou outra intervenção endovascular.
D) Incorreta. O Doppler pode ser útil em doença mesentérica crônica e em situações específicas, mas no abdome agudo sofre com gás intestinal, obesidade, dependência do operador e dificuldade de avaliar segmentos distais e a própria parede intestinal.