A pegadinha central é que a questão foi anulada e não existe alternativa oficial única.
VDRL = não treponêmico, floculação, cardiolipina não específica; serve também para titulação e seguimento.
Gestante: testar no início do pré-natal, no terceiro trimestre e no parto ou abortamento, não apenas no fim da gestação.
Neurossífilis: VDRL no líquor é específico, mas pouco sensível; FTA-Abs no líquor é sensível, menos específico e um resultado negativo ajuda a excluir o diagnóstico.
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Contexto
A questão foi anulada no gabarito definitivo, portanto nenhuma alternativa deve ser apresentada como resposta oficial única. O motivo fica claro quando se revisam os testes de sífilis: algumas alternativas contêm erros inequívocos e a alternativa D traz um fragmento verdadeiro, mas formulado de modo amplo demais para funcionar como regra diagnóstica isolada.
O VDRL é teste não treponêmico de floculação. Ele utiliza uma suspensão antigênica com cardiolipina, colesterol e lecitina e detecta anticorpos anticardiolipina que não são específicos de Treponema pallidum. Por isso pode apresentar resultados falso-reagentes. Já os testes treponêmicos, como FTA-Abs, detectam anticorpos dirigidos contra antígenos treponêmicos e costumam se tornar reagentes precocemente, não muito tardiamente.
Na gestação, o Ministério da Saúde recomenda testagem para sífilis na primeira consulta de pré-natal, idealmente no primeiro trimestre, novamente no terceiro trimestre e no parto ou em caso de abortamento, além de situações de nova exposição. A finalidade é tratar a gestante com antecedência suficiente para reduzir transmissão vertical, não esperar o último mês para evitar contágio apenas durante o parto, pois a transmissão pode ocorrer intraútero.
Para neurossífilis, nenhum teste liquórico deve ser lido isoladamente. O VDRL no líquor é altamente específico, porém pouco sensível. O FTA-Abs no líquor tem alta sensibilidade e menor especificidade; por isso, quando o VDRL liquórico é negativo mas a suspeita clínica permanece, um FTA-Abs negativo torna neurossífilis muito improvável. As Recomendações Laboratoriais do CDC de 2024 reforçam esse papel principalmente como exame auxiliar de exclusão, e não como teste obrigatório ou confirmatório único em todos os casos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O VDRL utiliza floculação, não microaglutinação, e a cardiolipina não é específica para sífilis. Os anticorpos detectados podem aparecer em outras condições, explicando falso-reagentes.
B) Incorreta. A testagem no pré-natal não deve ser postergada para o último mês. Deve ocorrer desde a primeira consulta, repetir-se no terceiro trimestre e ser realizada no parto ou abortamento conforme recomendação do Ministério da Saúde.
C) Incorreta. O FTA-Abs é teste treponêmico de boa especificidade, mas testes treponêmicos costumam ser os primeiros testes imunológicos a se tornarem reagentes após a infecção. Portanto, a expressão positivação muito tardia está errada.
D) Incorreta. A frase contém uma propriedade verdadeira, a alta sensibilidade do FTA-Abs liquórico, mas exagera ao dizer que ele deve ser realizado para o diagnóstico do comprometimento neurológico. O diagnóstico de neurossífilis integra quadro clínico, celularidade e proteína do líquor, sorologia e VDRL liquórico; FTA-Abs pode ser usado como exame complementar, especialmente quando VDRL é negativo e a suspeita permanece. Essa formulação contribui para a anulação da questão.