Complicações anestésicas e manejo da dor

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Questão 44
HCPA · 2022

Paciente de 38 anos, com IMC de 48 kg/m2, será submetido a gastroplastia videolaparoscópica eletiva. Feita a indução anestésica, o anestesiologista realizou 3 tentativas de intubação sem sucesso. Após a terceira tentativa, foram identificados sangramento e edema na via aérea. A ventilação sob máscara facial era factível, e a saturação arterial de oxigênio permanecia em 94%.

Assinale a alternativa que contempla a conduta mais apropriada para o caso.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Após três tentativas de intubação, a via aérea já apresenta sangramento e edema. Cada nova tentativa tende a piorar a visualização, aumentar trauma e transformar uma situação ainda oxigenável em emergência. O dado decisivo é que a ventilação por máscara continua possível e a saturação permanece em 94%, portanto não existe cenário de não intuba e não oxigena.

As Practice Guidelines for Management of the Difficult Airway da American Society of Anesthesiologists de 2022 enfatizam limitar tentativas repetidas, manter oxigenação, solicitar ajuda e reavaliar a estratégia após falha. As recomendações contemporâneas da Difficult Airway Society também priorizam progressão organizada pelo algoritmo e prevenção de múltiplas manipulações traumáticas.

Como a cirurgia é eletiva e o paciente ainda pode ser ventilado, a estratégia de segurança é abandonar o procedimento, recuperar ventilação espontânea, acordá-lo e planejar uma intubação acordada ou outra técnica avançada em condições controladas, frequentemente com fibrobroncoscopia flexível ou videolaringoscopia conforme anatomia e experiência da equipe. Cricotireoidostomia fica reservada à falha de oxigenação após esgotamento das técnicas não invasivas.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ajuda experiente deve ser chamada cedo, mas isso não significa realizar mais uma laringoscopia traumática depois de três falhas, edema e sangramento. O benefício de uma nova tentativa precisa superar o risco, o que não ocorre em cirurgia eletiva com ventilação preservada.

B) Incorreta. Máscara laríngea é excelente dispositivo de resgate para manter oxigenação e pode servir como ponte para outras técnicas. Porém, após via aérea traumatizada e falha de intubação em cirurgia bariátrica eletiva, não é prudente simplesmente prosseguir o procedimento como planejado.

C) Incorreta. Cricotireoidostomia é procedimento de emergência para situação em que não se consegue intubar nem oxigenar adequadamente. Aqui a ventilação sob máscara é factível, portanto ainda não há indicação de acesso invasivo de emergência.

D) Correta (gabarito). A oxigenação está preservada e o procedimento pode ser adiado. Despertar o paciente interrompe a escalada de trauma e permite programar abordagem definitiva da via aérea em ambiente controlado, com intubação acordada por fibrobroncoscopia ou técnica equivalente.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: falhou intubação não significa cricotireoidostomia se ainda é possível oxigenar.

  • Múltiplas tentativas geram edema e sangramento e diminuem a chance de sucesso das tentativas seguintes.

  • Cirurgia eletiva mais ventilação preservada permite acordar o paciente e redesenhar a estratégia.

  • Via aérea cirúrgica é para falha de oxigenação, não apenas para falha de laringoscopia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Complicações anestésicas e manejo da dor” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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