Pegadinha central: trate a criança desconfortável, não o número do termômetro.
Resposta ao antitérmico não separa infecção viral de bacteriana.
Alternar dois antitérmicos aumenta risco de erro e não deve ser rotina.
Febre infecciosa e hipertermia são fenômenos diferentes; o risco de dano térmico grave pertence sobretudo à hipertermia extrema.
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Contexto
Febre é uma resposta fisiológica regulada pelo hipotálamo e, na grande maioria das infecções pediátricas, não causa dano neurológico simplesmente porque ultrapassou 39 °C. O foco do tratamento deve ser o conforto, a hidratação e a identificação de sinais de doença grave, e não a normalização obsessiva do termômetro.
Paracetamol ou ibuprofeno podem ser usados quando a criança está desconfortável, respeitando idade, dose e contraindicações. A combinação ou alternância rotineira de dois antitérmicos aumenta a complexidade do esquema, favorece erros de dose e pode aumentar eventos adversos. Esse comportamento frequentemente se relaciona à febrefobia, isto é, preocupação desproporcional com a temperatura em si.
Métodos físicos também não são rotina. Água fria provoca vasoconstrição, arrepios e desconforto. Esponjamento morno pode reduzir temporariamente a temperatura, mas o efeito é curto e não melhora a causa da febre, por isso não deve ser usado como estratégia padrão para toda criança febril.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Melhorar ou não a alimentação depois do antitérmico não diferencia de modo confiável infecção viral de bacteriana. Gravidade e etiologia são avaliadas por história, exame, idade, sinais sistêmicos e exames quando indicados.
B) Incorreta. A água fria realmente causa maior desconforto, mas o erro está em afirmar que esponjamento morno é recomendado porque reduz a febre de modo mais duradouro. Seu efeito é transitório e métodos físicos não são tratamento rotineiro.
C) Correta (gabarito). Combinar ou alternar antitérmicos rotineiramente aumenta risco de confusão, erro de dose e eventos adversos e costuma refletir preocupação excessiva em reduzir a temperatura, fenômeno associado à febrefobia.
D) Incorreta. Febre infecciosa habitual acima de 39 °C não produz, por si só, dano cerebral. Temperaturas extremas de hipertermia, como insolação, representam mecanismo diferente e podem causar lesão orgânica.