Obstruções do recém-nascido

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Questão 7
HCPA · 2023

Paciente com 6 semanas de vida foi trazido à UBS por vômitos não biliosos, gradualmente crescentes, que progrediam para vômitos em jato, logo após ou durante a alimentação. A criança continuava com fome e não apresentava dor ou distensão abdominais. Ao exame, encontrava-se hidratada e em bom estado geral. Constatou-se pequena nodulação de cerca de 1 cm de diâmetro, palpável no quadrante superior direito do abdômen. Por vezes, era possível visualizar uma onda peristáltica que se movia do quadrante superior esquerdo para o direito.

Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é praticamente a descrição clássica da estenose hipertrófica do piloro. O piloro sofre hipertrofia e hiperplasia muscular progressivas, produzindo obstrução da saída gástrica. Por isso, o lactente inicialmente tolera parte das mamadas e evolui, nas primeiras semanas de vida, para vômitos cada vez mais intensos, tipicamente não biliosos e em jato.

O vômito é não bilioso porque a obstrução está antes da entrada da bile no duodeno. A criança costuma permanecer faminta e querer mamar novamente após vomitar, característica conhecida como fome pós-vômito. Ao exame, podem aparecer dois sinais clássicos: oliva pilórica palpável no epigástrio ou quadrante superior direito e ondas peristálticas gástricas visíveis deslocando-se da esquerda para a direita.

Quando o exame físico não é definitivo, a ultrassonografia é o exame de escolha para demonstrar hipertrofia e alongamento do piloro. Em apresentações mais avançadas, perdas repetidas de conteúdo gástrico rico em ácido clorídrico podem produzir alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica. A correção hidroeletrolítica vem antes da cirurgia; o tratamento definitivo é a piloromiotomia.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Refluxo costuma causar regurgitação ou vômitos sem um padrão obstrutivo progressivo. Não explica adequadamente vômito em jato associado a oliva palpável e ondas peristálticas gástricas visíveis.

B) Correta (gabarito). A idade de 6 semanas, o vômito não bilioso progressivo em jato, a fome preservada, a oliva no quadrante superior direito e o peristaltismo visível formam o conjunto típico de estenose hipertrófica do piloro.

C) Incorreta. Má rotação com volvo deve ser lembrada diante de vômito bilioso em lactente. É uma emergência por risco de isquemia intestinal e costuma ter evolução mais aguda e potencialmente tóxica.

D) Incorreta. Intussuscepção produz crises de dor abdominal com intervalos de melhora, irritabilidade e possível eliminação de sangue e muco. O vômito pode ocorrer, mas o conjunto descrito não é o habitual.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: vômito em jato + não bilioso + fome após vomitar + oliva pilórica = estenose hipertrófica do piloro.

  • Vômito bilioso em recém-nascido ou lactente jovem deve ser tratado como obstrução intestinal até prova em contrário.

  • Complicação laboratorial clássica da estenose pilórica avançada: alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.

  • Primeiro estabilize e corrija distúrbios hidroeletrolíticos; depois vem a piloromiotomia.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Obstruções do recém-nascido” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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