Paciente feminina, de 83 anos, com hipertensão e cardiopatia isquêmica (implante de stent coronariano há 10 anos), assintomática, mas com limitação funcional por dores articulares, será submetida a cirurgia de catarata. Vinha em uso de AAS, betabloqueador e hidroclorotiazida. Considerando que a pressão arterial era de 140/80 mmHg, e a frequência cardíaca, de 89 bpm,
Pegadinha central: baixa capacidade funcional não significa automaticamente teste de isquemia; primeiro olhe o risco do procedimento. Catarata é cirurgia de risco muito baixo.
Betabloqueador já usado cronicamente deve ser mantido no perioperatório.
Stent coronariano prévio mais cirurgia de sangramento mínimo favorece manutenção do AAS, e não sua suspensão de rotina.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A cirurgia de catarata é um procedimento de baixo risco cardiovascular e de sangramento mínimo. A Diretriz AHA/ACC de Manejo Cardiovascular Perioperatório em Cirurgia Não Cardíaca de 2024 reforça que pacientes assintomáticos submetidos a procedimentos de baixo risco não se beneficiam de eletrocardiograma de rotina nem de teste de isquemia apenas para estratificação pré-operatória. A limitação funcional desta paciente decorre de dor articular, mas isso não cria indicação de teste provocativo quando a própria cirurgia tem risco muito baixo.
Dois detalhes farmacológicos fecham a questão. Betabloqueador em uso crônico deve ser mantido no perioperatório, salvo contraindicação clínica específica. Além disso, em pacientes com angioplastia coronariana prévia, a diretriz recomenda manter AAS em baixa dose, se possível, para reduzir eventos cardíacos; isso é particularmente apropriado em catarata, cujo risco de sangramento maior é mínimo. A pressão de 140/80 mmHg e a ausência de sintomas cardiovasculares não justificam adiar a cirurgia.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A paciente está clinicamente estável e será submetida a uma cirurgia de catarata, procedimento de risco muito baixo. Não há indicação de investigação cardíaca adicional de rotina nem de bateria laboratorial apenas por idade.
B) Incorreta. O betabloqueador crônico deve ser continuado, porque a suspensão abrupta pode produzir taquicardia e aumento da demanda miocárdica. O AAS também não deve ser retirado rotineiramente nesta paciente com stent prévio e procedimento de sangramento mínimo.
C) Incorreta. Hemograma, função renal, radiografia de tórax, eletrocardiograma e coagulograma não devem ser solicitados indiscriminadamente somente porque a paciente tem 83 anos. Exames devem responder a uma hipótese clínica ou modificar manejo.
D) Incorreta. Teste de esforço é reservado a situações em que o risco cirúrgico e o risco cardiovascular do paciente justificam a investigação e em que o resultado alteraria a conduta. Para cirurgia de baixo risco em paciente estável, o teste não traz benefício, e a própria artrose ainda limita a capacidade de realizar ergometria adequadamente.