Associe os casos clínicos (coluna da esquerda) às estratégias utilizadas por clínicos na Atenção Primária (coluna da direita).
1 - Paciente masculino, após lanche em um restaurante à beira da estrada, apresentou dor abdominal, evacuações diarreicas e náusea, sem febre. Suspeitou-se de gastroenterite. A conduta inicial inclui soro de reidratação e sintomáticos e revisão, se necessário.
2- Paciente feminina, de 32 anos, não fumante, acordou com afonia, sem febre ou outro sintoma. O médico agendou o retorno da paciente em 1 semana.
3 - Paciente feminina, de 40 anos, tabagista (6 cigarros/dia), consultou por tosse produtiva há 1 mês, emagrecimento e sudorese. O exame físico foi inconclusivo. O médico solicitou pesquisa de BAAR no escarro e raio X de tórax.
4 - Paciente masculino, de 56 anos, que trabalha em uma madeireira, consultou por dor lombar bilateral, sem alteração ao exame neurológico. O médico solicitou raio X de coluna lombossacra.
( ) Espera permitida
( ) Diagnóstico etiológico
( ) Procedimento evitável
( ) Diagnóstico sindrômico
Pegadinha central: esperar pode ser conduta correta quando existe plano de segurança e baixa probabilidade de doença grave.
Tuberculose suspeita exige diagnóstico etiológico porque muda tratamento, vigilância e manejo das parcerias e contatos.
Lombalgia aguda sem sinais de alarme é terreno clássico para evitar imagem precoce.
Diagnóstico sindrômico é útil quando identificar o agente não muda a conduta inicial.
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Contexto
Na Atenção Primária, a investigação deve ser proporcional à probabilidade de doença grave e ao benefício real de obter um diagnóstico etiológico naquele momento. Isso permite usar estratégias como espera permitida, diagnóstico sindrômico, diagnóstico etiológico dirigido e prevenção de procedimentos evitáveis.
A espera permitida não significa abandono: deve incluir orientação sobre evolução esperada, sinais de alarme e momento de retorno. Já a tosse prolongada com emagrecimento e sudorese muda o limiar de investigação porque tuberculose tem implicações individuais e coletivas. Na lombalgia inespecífica sem sinais de alarme, imagem precoce aumenta achados incidentais e intervenções sem melhorar desfechos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A espera permitida corresponde melhor à afonia isolada do caso 2, não à gastroenterite do caso 1. O caso 4 é o exemplo de exame de imagem potencialmente evitável.
B) Correta (gabarito). A sequência 2, 3, 4, 1 associa corretamente afonia à espera permitida, suspeita de tuberculose ao diagnóstico etiológico, radiografia de lombalgia sem sinais de alarme a procedimento evitável e gastroenterite típica ao diagnóstico sindrômico.
C) Incorreta. A lombalgia do caso 4 não exige busca etiológica por imagem na ausência de sinais de alarme, enquanto a investigação de tuberculose do caso 3 é necessária e não constitui procedimento evitável.
D) Incorreta. Atribui diagnóstico etiológico à gastroenterite autolimitada e espera permitida à suspeita de tuberculose, invertendo justamente o princípio de adequar investigação ao risco.