Paciente masculino, de 50 anos, veio à consulta queixando-se de despertares frequentes durante o sono noturno e fadiga diurna.

Pegadinha central: para diferenciar central de obstrutiva, olhe o esforço, não apenas o fluxo.
Obstrutiva: sem fluxo, com esforço. Central: sem fluxo, sem esforço.
Apneia em adulto exige evento de pelo menos 10 segundos; uma época isolada mostra o evento, mas a síndrome exige análise da noite inteira.
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Contexto
Na polissonografia apresentada, há um intervalo de aproximadamente 10 segundos em que o fluxo aéreo desaparece e os sinais de esforço respiratório torácico, abdominal e pela pressão esofágica também cessam. Após o evento ocorre retomada respiratória, despertar cortical e queda tardia da saturação. Esse padrão define um evento de apneia central.
Na apneia obstrutiva, o fluxo aéreo cessa porque a via aérea superior colaba, mas o comando ventilatório permanece e o tórax e o abdome continuam fazendo esforço, frequentemente com aumento progressivo da pressão inspiratória. Na apneia central, o problema é a interrupção transitória do drive ventilatório, portanto não há fluxo nem esforço inspiratório.
Os critérios de escore da American Academy of Sleep Medicine consideram apneia em adultos quando há redução de pelo menos 90% do fluxo respiratório por no mínimo 10 segundos. O traçado isolado demonstra um evento central; para diagnosticar uma síndrome de apneia central do sono é necessário analisar a noite inteira, quantificar o índice de eventos centrais e integrar o contexto clínico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Na apneia obstrutiva o fluxo desaparece, mas o esforço torácico e abdominal persiste ou aumenta contra a via aérea fechada. A figura mostra justamente ausência do esforço durante o evento.
B) Correta (gabarito). A cessação simultânea de fluxo e de esforço respiratório caracteriza apneia central. O despertar e a dessaturação que se seguem são consequências fisiológicas do evento respiratório.
C) Incorreta. Hipoventilação relacionada ao sono é redução sustentada da ventilação com elevação de CO2 durante o sono. Não se define por uma pausa completa e discreta de fluxo acompanhada de ausência total de esforço.
D) Incorreta. O registro não é normal: demonstra pausa respiratória de duração compatível com apneia e ausência simultânea de esforço, além de repercussão com dessaturação e despertar.