Paciente masculino, de 27 anos, veio à consulta queixando-se de lombalgia, iniciada há 3 dias, sem melhora com o uso de paracetamol. Negou comorbidades. Ao exame físico, foram constatados reflexos, força e sensibilidade preservados nas 4 extremidades, com dor à palpação paravertebral bilateral em região lombar, mas sem dor à palpação de processos espinhosos. Sinal de Lasègue estava negativo bilateralmente.
Pegadinha central: lombalgia aguda sem sinal de alarme não pede repouso, imagem ou infiltração.
AINE pode ser usado por curto período se não houver contraindicação renal, gastrointestinal ou cardiovascular.
Lasègue negativo e exame neurológico normal afastam o padrão típico de radiculopatia nesta apresentação.
Mantenha atividade conforme tolerado; a recuperação funcional costuma ser melhor do que com repouso no leito.
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Contexto
O quadro é de lombalgia aguda mecânica inespecífica: apenas 3 dias de evolução, dor paravertebral bilateral, exame neurológico normal, ausência de dor sobre processos espinhosos e Lasègue negativo. Não existem sinais de radiculopatia, síndrome da cauda equina, fratura, infecção ou neoplasia que indiquem imagem ou procedimento invasivo imediato.
O manejo inicial deve manter atividade conforme tolerado, orientar evolução geralmente favorável e usar analgesia racional. Diretrizes contemporâneas de lombalgia recomendam evitar repouso prolongado. Anti-inflamatórios não esteroidais são opções farmacológicas de primeira linha quando não há contraindicações, usando a menor dose eficaz pelo menor tempo necessário e considerando risco gastrointestinal, renal e cardiovascular.
Paracetamol isolado apresenta benefício limitado para lombalgia aguda e, neste caso, já falhou. Infiltrações não são tratamento inicial para dor lombar inespecífica sem radiculopatia ou outra indicação anatômica definida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Repouso absoluto prolonga incapacidade e não acelera recuperação. O paciente deve permanecer ativo dentro do tolerável, evitando apenas atividades que exacerbem intensamente a dor.
B) Incorreta. Aumentar simplesmente a dose de paracetamol após ausência de resposta não é a melhor estratégia, especialmente porque o benefício do paracetamol isolado em lombalgia aguda é limitado e doses excessivas aumentam risco de hepatotoxicidade.
C) Correta (gabarito). Na ausência de contraindicações, um AINE é opção adequada para lombalgia aguda mecânica após falha do paracetamol, associado à orientação de manter atividade e ao acompanhamento da evolução.
D) Incorreta. Infiltração paraespinhal é procedimento invasivo sem indicação como primeira linha em lombalgia inespecífica aguda, especialmente com exame neurológico normal e sem radiculopatia.