Diabetes gestacional, quando não adequadamente controlado durante o pré-natal, é causa de complicações para os recém-nascidos.
Pegadinha central: o filho de mãe diabética nasce hiperinsulinêmico; o cordão é cortado, a glicose materna cai imediatamente, mas a insulina fetal continua alta, produzindo hipoglicemia.
Macrossomia + hipoglicemia + policitemia + hipertrofia septal é um quarteto clássico de prova.
Diabetes pré-gestacional mal controlado na organogênese é o cenário de maior preocupação para malformações congênitas.
Hipocalcemia pode ocorrer, mas uma alternativa com uma complicação verdadeira e outra claramente não típica continua incorreta.
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Contexto
A sequência fisiopatológica central é hiperglicemia materna, hiperglicemia fetal, hiperplasia das células beta pancreáticas e hiperinsulinismo fetal. A glicose atravessa a placenta; a insulina materna, não. O feto responde ao excesso de glicose produzindo mais insulina, que atua como hormônio anabólico e explica boa parte das complicações do filho de mãe diabética.
A macrossomia aumenta ainda o risco de distocia de ombro, trauma de parto e asfixia. Apesar disso, nem todo filho de mãe diabética é grande para a idade gestacional; quando há vasculopatia materna importante e insuficiência placentária, pode ocorrer restrição de crescimento. Para a prova, porém, o conjunto clássico do diabetes mal controlado é exatamente o apresentado na alternativa A.
Também é importante separar complicações fetais de diabetes pré-gestacional de diabetes gestacional. Malformações estruturais estão muito mais ligadas à hiperglicemia durante a organogênese, portanto ao diabetes presente no início da gestação. Já hiperinsulinismo, macrossomia e distúrbios metabólicos neonatais refletem principalmente o controle glicêmico durante a gestação.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Reúne quatro associações clássicas e fisiopatologicamente coerentes: macrossomia, hipoglicemia, hipertrofia septal assimétrica e policitemia.
B) Incorreta. Macrossomia, hipocalcemia e policitemia podem ocorrer, mas hemorragia intracraniana não compõe o padrão típico de complicações diretamente atribuídas ao diabetes gestacional. Ela pode ocorrer em outros cenários neonatais, especialmente relacionados à prematuridade e instabilidade hemodinâmica.
C) Incorreta. Hipoglicemia e hipertrofia septal estão corretas, mas a alternativa troca duas associações clássicas: em vez de microcefalia, o padrão frequente é crescimento excessivo; em vez de anemia, a alteração hematológica lembrada é policitemia.
D) Incorreta. Anemia, ascite e síndrome do coração esquerdo hipoplásico não formam o fenótipo neonatal típico do diabetes gestacional. Hipocalcemia, isoladamente, pode ocorrer, mas não salva a alternativa.