Paciente de 27 anos, casado, veio à consulta queixando-se de corrimento uretral purulento acompanhado de desconforto uretral, quadro iniciado há 1 semana. Informou não fazer uso de preservativo nas relações sexuais.
Pegadinha central: corrimento uretral masculino sem teste etiológico disponível deve cobrir gonococo e clamídia.
Gonorreia costuma ser mais purulenta, mas aparência do corrimento não exclui coinfecção.
Tratar parcerias é parte do tratamento do caso índice, não uma medida reservada para falha terapêutica.
Uretrite é oportunidade para rastrear outras IST e reforçar prevenção combinada.
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Contexto
Corrimento uretral purulento e desconforto uretral em homem sexualmente ativo sem uso de preservativo caracterizam síndrome de corrimento uretral. Os dois agentes que mais precisam ser contemplados são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. Gonorreia tende a produzir corrimento mais abundante e purulento, mas apresentação clínica isolada não é suficientemente precisa para excluir coinfecção por clamídia.
O PCDT para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, versão disponível de 2022, orienta diagnóstico e tratamento das uretrites e manejo das parcerias sexuais. Quando testes etiológicos não estão disponíveis no momento do atendimento, o manejo sindrômico deve oferecer cobertura para gonococo e clamídia, sem atrasar tratamento de uma síndrome típica.
As parcerias sexuais relevantes precisam ser avaliadas, testadas quando possível e tratadas conforme o agente e o período de exposição, independentemente de os sintomas do paciente persistirem. O atendimento também deve incluir testagem para outras IST, aconselhamento, oferta de preservativos e orientação para evitar relação sexual até que o tratamento de paciente e parcerias esteja adequadamente concluído.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Trichomonas vaginalis pode causar uretrite, mas os dois agentes prioritários na síndrome masculina são Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis.
B) Correta (gabarito). Na ausência de suporte laboratorial disponível para definir imediatamente a etiologia, o tratamento empírico deve cobrir gonorreia e clamídia, reduzindo risco de complicações e transmissão.
C) Incorreta. Corrimento pode ser intermitente e não estar visível exatamente no momento do exame. Uma história compatível, fatores de risco e outros achados de uretrite podem justificar investigação e tratamento sem exigir espera obrigatória de 48 horas.
D) Incorreta. O manejo das parcerias não depende de falha clínica após 7 dias. Elas devem ser abordadas desde o diagnóstico para interromper a cadeia de transmissão e evitar reinfecção do paciente.