Paciente de 53 anos, com menopausa cirúrgica (histerectomia) aos 49 anos, veio à consulta queixando-se de calorões, vários episódios durante o dia e durante a noite, associados a sudorese e humor lábil (irritabilidade e tristeza). Encontrava-se em tratamento bem controlado para hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes melito (DM). Em seu histórico, constavam, ainda, câncer de mama aos 40 anos, com revisões sempre normais, e osteoporose.
Pegadinha central: histerectomia muda a necessidade de progestagênio, mas não apaga contraindicação ao estrogênio sistêmico.
Câncer de mama prévio é o dado que domina a escolha terapêutica para sintomas vasomotores.
HAS e DM controlados não são contraindicações absolutas isoladas à TH.
Via transdérmica melhora parte do perfil trombótico, mas não transforma uma sobrevivente de câncer de mama em candidata rotineira à TH sistêmica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente apresenta sintomas vasomotores importantes, está a poucos anos da menopausa e tem osteoporose, circunstâncias em que a terapia hormonal sistêmica seria frequentemente considerada se não houvesse contraindicação relevante. O dado que muda completamente essa avaliação é o antecedente pessoal de câncer de mama.
The Menopause Society reafirmou em 2024 que terapia hormonal sistêmica não é recomendada para sobreviventes de câncer de mama, admitindo apenas situações excepcionais que exigem decisão compartilhada com a equipe oncológica. O fato de o tumor ter sido tratado há muitos anos e estar sem recidiva não transforma o uso sistêmico de estrogênio em opção rotineiramente segura.
A histerectomia eliminaria, em uma mulher sem outras contraindicações, a necessidade de progestagênio para proteção endometrial, permitindo estrogênio isolado. Contudo, a ausência de útero não neutraliza o antecedente de câncer de mama. A via transdérmica reduz algumas exposições metabólicas hepáticas e tende a ter perfil trombótico mais favorável que a via oral, mas não remove a restrição oncológica.
Para ondas de calor em mulheres com contraindicação hormonal, devem ser consideradas estratégias não hormonais, como determinados antidepressivos, gabapentina e antagonistas de receptores de neurocinina conforme disponibilidade e perfil clínico. A osteoporose também deve receber tratamento específico, sem usar a terapia hormonal como justificativa para ultrapassar uma contraindicação oncológica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O antecedente de câncer de mama é a restrição decisiva. Hipertensão e diabetes bem controlados não são, isoladamente, contraindicações absolutas equivalentes à neoplasia mamária prévia.
B) Incorreta. A histerectomia permitiria estrogênio isolado apenas se a paciente fosse elegível à terapia hormonal. A via transdérmica pode reduzir risco trombótico em comparação com a via oral, mas não elimina o problema do câncer de mama prévio.
C) Incorreta. Tibolona tem atividade hormonal e não deve ser considerada uma solução liberada apenas porque houve longo intervalo sem recidiva. O antecedente de câncer de mama permanece relevante.
D) Correta (gabarito). O histórico pessoal de câncer de mama contraindica a terapia hormonal sistêmica como tratamento rotineiro dos sintomas climatéricos, devendo-se priorizar opções não hormonais e individualizar situações excepcionais com a oncologia.