Paciente masculino, de 35 anos, com queimaduras de mais de 30% do corpo, foi internado na Unidade de Queimados. Já havia recebido os primeiros atendimentos adequadamente.
Pegadinha central: fórmula calcula o ponto de partida; diurese diz se você precisa subir ou reduzir a infusão.
No adulto, memorize débito urinário em torno de 0,5 mL/kg/h como alvo clássico.
Mais volume não é sempre melhor: reposição excessiva causa fluid creep e aumenta edema e síndromes compartimentais.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Em queimaduras extensas, a fórmula de reposição calcula apenas uma estimativa inicial. A permeabilidade capilar aumenta intensamente nas primeiras horas, produzindo perda de volume intravascular e edema; por isso, o volume real necessário varia entre pacientes e deve ser titulado pela resposta fisiológica. A American Burn Association publicou em 2024 diretriz específica para ressuscitação volêmica de adultos com queimaduras de pelo menos 20% da superfície corporal.
O parâmetro prático mais utilizado para ajustar a infusão é o débito urinário horário, porque funciona como marcador de perfusão renal e de adequação global da ressuscitação. Em adultos sem situações especiais, o alvo clássico é aproximadamente 0,5 mL/kg/h, frequentemente expresso como cerca de 30 a 50 mL/h. Débito persistentemente abaixo da meta exige reavaliação da reposição, mas não deve provocar aumento cego de fluidos sem considerar causas como choque não hipovolêmico, síndrome compartimental abdominal ou renal e outras fontes de hipoperfusão.
A superfície corporal queimada permanece essencial para estimar a necessidade inicial, mas após o início da ressuscitação o objetivo é evitar tanto hipoperfusão quanto fluid creep, a administração excessiva de cristaloide associada a edema, síndrome compartimental e complicações pulmonares.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A porcentagem de superfície corporal queimada é componente fundamental do cálculo inicial de volume, mas não informa sozinha quanto o paciente realmente precisa depois que a ressuscitação começou. A taxa deve ser reajustada pela resposta clínica.
B) Correta (gabarito). O débito urinário é o principal parâmetro prático de titulação da reposição no grande queimado. Em adulto, busca-se aproximadamente 0,5 mL/kg/h, com ajustes conforme contexto clínico.
C) Incorreta. Pressão venosa central é um marcador estático sujeito a muitas interferências e não deve ser usada isoladamente como referência principal para reposição volêmica do queimado.
D) Incorreta. Pressão arterial média é importante para avaliar perfusão e choque, mas pode permanecer aceitável apesar de hipoperfusão ou se alterar por fatores independentes do volume. Ela integra a avaliação, porém não substitui a diurese horária como alvo tradicional de titulação.