Paciente submetido a herniorrafia incisional mediana infraumbilical, com tela, há 20 dias foi trazido à Emergência por febre de 38,5o C. À admissão, a frequência cardíaca era de 110 bpm, e a pressão arterial de 100/60 mmHg. Apresentava eritema intenso ao redor da ferida operatória, dor muito forte à palpação, com drenagem de secreção purulenta em moderado volume à expressão manual.
Pegadinha central: tela infectada não é igual a celulite superficial; corpo estranho mais biofilme torna controle de foco decisivo.
Purulência profunda, necrose, sepse ou falha terapêutica favorecem explante da prótese.
Salvamento da tela existe na prática moderna, mas é reservado a casos selecionados e não deve ser generalizado para paciente sistemicamente comprometido.
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Contexto
Vinte dias após herniorrafia incisional com tela, o paciente apresenta febre de 38,5 °C, taquicardia, eritema intenso, dor desproporcional à manipulação e drenagem purulenta. Isso ultrapassa uma infecção incisional superficial simples e sugere infecção profunda do sítio cirúrgico com comprometimento do material protético. A presença de prótese muda o raciocínio porque bactérias podem aderir à superfície e formar biofilme, reduzindo a eficácia de antibióticos isolados.
O princípio decisivo é controle de foco: abrir e explorar a ferida, drenar coleções, retirar tecido desvitalizado, obter material profundo para cultura e iniciar antibioticoterapia sistêmica quando há sinais sistêmicos. Em infecção profunda extensa, sepse, tecido necrótico, falha de drenagem ou comprometimento franco da tela, a remoção da prótese infectada frequentemente é necessária.
A prática atual admite tentativa de salvamento da tela em casos muito selecionados, como infecção localizada, paciente estável, ausência de necrose ou fístula e prótese de características favoráveis, associando drenagem, desbridamento e eventualmente terapia por pressão negativa. Portanto, não existe regra contemporânea de retirar qualquer tela diante de qualquer infecção. Neste enunciado, porém, febre, taquicardia, purulência abundante e dor muito intensa indicam infecção profunda e grave, tornando a retirada da tela a melhor opção entre as oferecidas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Abertura parcial da ferida e drenagem seriam suficientes para algumas infecções superficiais sem repercussão sistêmica. Aqui há sinais de infecção profunda e provável envolvimento protético, que exigem exploração e controle de foco mais amplo.
B) Incorreta. Acrescentar antibiótico trata o componente sistêmico, mas não resolve material necrótico, coleção profunda ou uma tela francamente infectada. Antimicrobiano sem controle adequado de foco favorece persistência e recorrência.
C) Correta (gabarito). Exploração cirúrgica, desbridamento, cultura profunda, antibioticoterapia e retirada da tela tratam simultaneamente a carga bacteriana, o tecido desvitalizado e o corpo estranho que pode sustentar biofilme. É a estratégia mais apropriada para o quadro grave descrito.
D) Incorreta. Preservar a tela pode ser discutido em infecções selecionadas e localizadas, mas não é a melhor escolha diante de sinais sistêmicos e infecção purulenta profunda. A tentativa de salvamento nesse cenário aumenta o risco de controle inadequado do foco.