Paciente de 35 anos procurou a Emergência por quadro de febre, dor lombar e disúria. Negou comorbidades. Ao exame, encontrava-se prostrada, com temperatura axilar de 38° C e sinais vitais estáveis, sem outras alterações. A punho-percussão lombar foi positiva à direita.
Pegadinha central: pielonefrite sempre pede urocultura, mas não sempre internação.
Paciente estável, sem complicadores e tolerando via oral pode ser tratada fora do hospital.
Não espere a cultura para iniciar antibiótico; use o resultado depois para ajustar ou estreitar o esquema.
Imagem torna-se especialmente importante quando há suspeita de obstrução ou ausência de melhora em 48 a 72 horas.
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Contexto
Febre, disúria, dor lombar e punho-percussão positiva formam quadro típico de pielonefrite aguda. A paciente tem 35 anos, não possui comorbidades, está hemodinamicamente estável, não apresenta vômitos, sepse, gestação conhecida nem sinal de obstrução. Isso permite tratamento ambulatorial se houver capacidade de ingerir medicação e possibilidade de reavaliação.
A EAU Guidelines on Urological Infections vigente recomenda urocultura com teste de sensibilidade em todos os casos de pielonefrite e início do antibiótico empírico sem aguardar o resultado. A escolha depende da resistência local e de exposições prévias; fluoroquinolonas ou determinadas cefalosporinas orais podem ser usadas em cenários apropriados, e esquemas alternativos dependem da suscetibilidade ou podem exigir uma dose parenteral inicial.
Imagem é usada para excluir obstrução e complicações, mas sua urgência depende do contexto. Ultrassonografia é particularmente indicada quando há história de cálculo, alteração de função renal, suspeita de obstrução, gestação ou outros fatores de risco; tomografia ganha importância em deterioração clínica ou persistência de febre após 48 a 72 horas. Assim, a ausência de ultrassom imediato não impede o manejo ambulatorial da paciente sem fatores de complicação descritos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O antibiótico oral pode ser adequado, mas a alternativa omite a urocultura, que deve ser obtida na pielonefrite. Ultrassom não substitui a documentação microbiológica e não é o elemento decisivo nesta paciente estável e sem risco claro de obstrução.
B) Correta (gabarito). Coletar urocultura, iniciar antibiótico empírico sem esperar o resultado e tratar ambulatorialmente é apropriado para paciente estável, sem comorbidades ou sinais de complicação, desde que tolere terapia oral e tenha seguimento.
C) Incorreta. Não há indicação de internar apenas pelo diagnóstico de pielonefrite não complicada e é inadequado esperar a cultura antes de iniciar o tratamento, porque isso prolonga a infecção e aumenta risco de complicações.
D) Incorreta. Internação e antibiótico intravenoso de amplo espectro são reservados para pacientes com sepse, instabilidade, obstrução, intolerância oral, gestação em determinados cenários, comorbidades relevantes ou outras formas complicadas.