As Redes de Atenção à Saúde (RAS) constituem-se em arranjos organizativos formados por ações e serviços de saúde com diferentes configurações tecnológicas e missões assistenciais, articulados de forma complementar e com base territorial. Associe as situações clínicas (coluna da esquerda) às formas de cuidado nos serviços das RAS (coluna da direita).
1- Paciente apresenta resultado de teste de antígeno positivo para covid-19, com sintomas leves e sinais vitais estáveis.
2- Paciente recebe alta hospitalar após cirurgia de revascularização do miocárdio.
3- Paciente chega à UBS com dor torácica, formigamento no braço esquerdo, náusea, taquicardia e sudorese.
4- Paciente após alta hospitalar tem indicação de medicação parenteral.
( ) Regulação via telefônica com Rede de Urgência/Emergência (SAMU).
( ) Atendimento do paciente por farmacêutico/a do Núcleo de Apoio à Saúde da Família e/ou médico/a da Atenção Primária
( ) Encaminhamento do paciente pela equipe da UBS ao Programa de Atenção Domiciliar (PAD).
( ) Teleatendimento para acompanhamento realizado pela Atenção Primária à Saúde.
Pegadinha central: a RAS não manda tudo para o hospital; ela direciona cada necessidade ao ponto de cuidado adequado e mantém a APS coordenando o percurso.
Dor torácica com sinais autonômicos é urgência tempo-dependente e pede regulação imediata, não consulta programada.
A nomenclatura atual do apoio multiprofissional na APS é eMulti, embora provas antigas ainda usem NASF.
Atenção Domiciliar pode assumir tratamentos parenterais seriados em pacientes estáveis e elegíveis.
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Contexto
As Redes de Atenção à Saúde organizam pontos de cuidado com diferentes densidades tecnológicas para que cada necessidade seja atendida no local adequado, sem perder coordenação e continuidade. A Atenção Primária permanece como coordenadora do cuidado e porta preferencial da rede, mas situações tempo-dependentes precisam ser reguladas imediatamente para a Rede de Urgência e Emergência, enquanto necessidades que podem ser resolvidas no território devem permanecer sob responsabilidade da APS ou da Atenção Domiciliar.
Na primeira associação, dor torácica com parestesia em braço, náusea, taquicardia e sudorese sugere síndrome coronariana aguda e exige acionamento da regulação do SAMU. No segundo caso, o paciente após revascularização miocárdica precisa de seguimento clínico, reconciliação medicamentosa, educação e prevenção secundária, funções que podem ser coordenadas pela APS com apoio multiprofissional. A nomenclatura do enunciado usa NASF; atualmente, o Ministério da Saúde organiza esse apoio multiprofissional por meio das eMulti, instituídas pela Portaria GM/MS 635/2023.
O paciente que necessita medicação parenteral após alta pode ser elegível para Serviço de Atenção Domiciliar quando está clinicamente estável e necessita cuidado que ultrapasse a capacidade usual da APS. Já covid-19 leve, sem instabilidade, pode ser acompanhada pela APS, inclusive por teleatendimento quando clinicamente apropriado. Portanto, a sequência é 3, 2, 4, 1.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Coloca covid-19 leve como situação para regulação pelo SAMU e reserva teleatendimento para o paciente com dor torácica sugestiva de evento coronariano, invertendo a prioridade de urgência.
B) Incorreta. Também deixa a síndrome coronariana fora da regulação de urgência e troca o seguimento pós-revascularização pelo cuidado domiciliar destinado ao paciente com necessidade parenteral.
C) Correta (gabarito). A sequência 3, 2, 4, 1 respeita a função de cada ponto da rede: emergência coronariana para regulação pelo SAMU, seguimento pós-revascularização coordenado pela APS, medicação parenteral pós-alta como possível indicação de Atenção Domiciliar e covid-19 leve para acompanhamento remoto pela APS.
D) Incorreta. Acerta o primeiro e o último itens, mas troca os casos 2 e 4: o paciente após revascularização necessita seguimento longitudinal pela APS, enquanto a necessidade de terapia parenteral pós-alta pode justificar atenção domiciliar especializada.